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No inicio dos anos setenta o Brasil era, pretensamente, o país do desenvolvimento e da modernidade. Milhões de brasileiros deixavam o campo dirigindo-se para as cidades trazendo velhas tradições tanto da Mata Mineira como do Noroeste Fluminense, como as Folias de Reis. Lembro-me ainda garoto da Folia do Seu Joaquim Neves lá de Laranjal. As Folias tendiam a ser esquecidas ou confinadas nas periferias das cidades. De modo geral, o movimento folclorista tinha pouquíssima visibilidade. Em Miracema as Folias de Reis aproximavam-se da total extinção pelas imensas dificuldades para adquirir seus instrumentos e suas roupas. Por esse tempo, papai iniciava as tratativas para sua aposentadoria o que veio ocorrer em 1977, mudando-se, defi nitivamente, para Miracema. As velhas emoções sentidas lá no antigo Panorama onde seu tio Frontino chegava a reunir 20 Folias, retornaram com toda força. Papai dizia que juntava seus tostões para oferecer ao palhaço. Como veremos abaixo, papai escreveu por volta de 1979 alguns textos sobre o folclore miracemense que ele chamou de: "O Folclore Exaltação de Miracema" A Folia de Reis nos traz muitas saudades. Ela nos faz lembrar as grandes noitadas e alegrias daquele som repetido. Quando crianças a Folia de Reis batia nas nossas portas com o bumbo a rufar e os cânticos dos foliões, fazendo-nos levantar da cama e apanhar o tostãozinho que guardáva-mos para o palhaço e atrás da porta a gente tremia de medo dele. No ano de 1889 a 1891, Dona Mariana que tinha quase 96 anos ainda se lembrava que com 6 a 7anos, seu tio levava as crianças para assistir o baile dos antigos escravos que formavam a Folia de Reis. O baile era realizado no antigo engenho velho da fazenda Cachoeira onde se socava café, fazia-se fubá, tinha tronco e roda de bacalhau. Ali começaram os grupos a formar as mais variadas Folias de Reis. Em 1920 encontramos na Fazenda Panorama as grandes concentrações de Folias de Reis. O fazendeiro era Frontino A. Siqueira admirador das Folias. Dali fazia concentração de seis a oito grupos em frente ao seu comércio durante todo o período, isto é, de 25 de dezembro a 5 de janeiro tudo por conta do dito fazendeiro. Ali eles disputavam em versos, sua melhor posição, melhor vestimenta, melhor bateria e melhor palhaço que cantava, chulava e pulava, desafiando uns aos outros. Os seus instrumentos eram sanfona, viola, triângulo, chocalho, tambor, pandeiro de couro de gato,bumbo e cavaquinho. A bandeira era toda enfeitada com fitas, flores e os três reis magos. A Folia era formada com 12 foliões, com mestre e contramestre. Às vezes, trazia dois palhaços o que pouco aconecia. Geralmente, era um só com seu porrete indispensável que ia até à altura do pescoço para que ele pudesse descansar. Certa ocasião, uma folia estava cantando numa casa depois de fazer a profecia, chegou a vez do palhaço chulear e dizer versos, mas certo momento embasbacou com os versos e não teve saída. Começou a suar tanto que manchou o chão da casa. Ele fi cou envergonhado e saiu correndo, deixando a folia, nunca mais quis vestir de palhaço. 01 de Janeiro de 1979 Com a participação de vários grupos folclóricos, foi realizado o “ Primeiro Encontro de Folias de Reis” que reuniu um grande número de pessoas que assistiram a evolução e exibição de sete Folias de Reis. O encontro foi realizado na Rua Santo Antônio, 122 onde o Coordenador e Promotor do evento, Benedito Siqueira, recepcionou os grupos. Após confraternização e apresentação das jornadas foi oferecido pelo coordenador um lanche completo aos foliões. Esse encontro veio, sobremaneira, mostrar à população o fato de que o Folclore do Norte Fluminense, especialmente em nossa Miracema, ainda está vivo. Para agradecer o apoio da Funarte fi z as quadrinhas; Espero que esses versos Não constituam um desastre Quero agradecer de público O apoio da Funarte Ela deu apoio fi nanceiro com muito interesse Para o Folclore de Miracema Para que ele revivesse As folias de Miracema Não têm roupa para vestir Se não fosse a Funarte Elas não poderiam sair Assim eu agradeço Com grande emoção Para fi car guardado No fundo do coração “ Benedito Padilha de Siqueira, nasceu em 9 de julho de 1910 nosítio Boa Vista, de propriedade de seu avô paterno Teófilo, na zona rural de Miracema. Filho de Genuíno Antunes de Siqueira Sobrinho e Mariana Reveziana Padilha de Siqueira. Foi casado em primeiras núpcias com Maria de Souza Magalhães. Desse casamento nasceram 5 filhos: José Frederico, Aparecida, Maria Terezinha, Antônio Raymundo e Mariana. Em segundas núpcias casou-se com Maria Tostes Siqueira. Faleceu em 13 de janeiro de 2000 em Niterói sendo sepultado em Miracema. Usava sempre em qualquer atividade o slogan: “Miracema, gosto de você ( Bené Siqueira)”. Texto de Benedito Siqueira (Bené). Homenagem de seus filhos: José Frederico, Aparecida, Maria Terezinha, Antônio Raymundo e Mariana |
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