Pág.8-Nº130-Set/10


Tema: Primavera

Minha vida dilacera...
Não vejo o sol e nem flores.
Não existe mais primavera,
Pois, morreu com minhas dores.


Tema: Árvores

Hoje, a humanidade avista,
Árvores em extinção.
Em sua atitude egoísta,
Está a própria destruição.

Tema: Eternidade

Jamais haverá distância,
Onde reside a amizade.
Se ela começa na infância,
Atravessa a eternidade.


Tema: Carlinhos e Convidados.

Aplausos para os talentos:
Carlinhos e Convidados.
Ficaram em nossos momentos,
Sons celestes musicados.




    Certa vez, uma pessoa me disse que para ela, viajar era como se estivesse folheando uma revista. Achei muito estranho ouvir aquilo. Que não goste é opção de cada um, mas, jamais fazer essa comparação.
    
Existe uma diferença enorme: você ver uma foto de uma pintura e vê-la ao vivo. A beleza é poder apreciá-la de perto como também poder senti-la. 
    Assim foi quando entrei na Capela Sistina no Vaticano (Roma). Ela tem esse nome em homenagem ao Papa Sisto IV. É nela que realiza o Conclave, que é o processo para a escolha do novo Papa.
   
Minha alma entrou em turbilhão ao ver que estava diante de magníficas obras de vários artistas famosos como o pintor Rafael, datada do ano de 1475. Quando se iniciou a construção da Capela, apenas as paredes eram pintadas, ficando o teto em branco por ser muito alto e eles tinham  que completar a pintura deitados.  Bem mais tarde foi chamado Michelangelo, que por imposição do Papa Julio II, concluiu a obra entre os anos de 1508 a 1512. O artista era polêmico e se dizia ser apenas escultor e desenhista, porém, por ser temente a Deus, obedeceu.
   
Os afrescos do teto, inspirados em cenas do Velho e Novo Testamento, mostravam ao centro a Criação de Adão, onde Deus apontava seu dedo para o homem dando-lhe vida. Michelangelo dizia não estar inspirado e se rebelou com a exigência do Papa Julio II abandonando a obra da última vez, voltando para Florença a fim de tirar mármore e fazer suas esculturas.
   
Um dia deitou-se sobre uma pedra para descansar, e ao olhar para o céu, viu duas nuvens como se apontasse uma para outra. Nelas ele encontrou o sinal de Deus, e, embora se dizendo ser apenas escultor, voltou para Roma a fim de terminar o teto da Capela. Minha imaginação foi além de onde eu estava quando mais à esquerda vi a pintura “Deus criando o sol e a lua”. Michelangelo foi radiante em sua inspiração mostrando a luz do sol aquecendo a terra.
   
Em cada afresco, em cada detalhe, minha alma agradecia a Deus por estar vendo e sentindo a beleza de toda aquela arte.
   
Tudo aquilo era maravilhoso, completamente diferente do que já havia visto na Bíblia ou em revistas.
    Em julho passado, a colunista convidada da revista O Globo: Zazá PIEREK baseou sua crônica em viagens. Até parece que havíamos conversado sobre o assunto.
   
Já tive oportunidade de escrever e dizer várias vezes, que há pessoas que veem as árvores, mas não enxergam suas flores e frutos. Isso é ver e não apreciar. Completo com isso o que disse Zazá, a cronista: “não basta o lugar ser lindo, tem que ter história, ser capaz de emocionar e de ampliar nem que seja um pouquinho a visão que se tem do mundo.”
  
Muitas vezes, quando jovem, viajei em pensamentos para os lugares mais diferentes, porém, via que era um sonho tudo aquilo e ao despertar caia na realidade. Mesmo assim não desanimava. Então, fazia uma promessa para mim mesma: - Um dia tudo se tornará verdade.
 
Com a força do pensamento voltado para essa finalidade, vi um dia que o sonho começou a se concretizar.
  
No verão é muito comum as pessoas irem veranear, sempre dispostas a se estenderem na areia para bronzear. A maioria delas só vê como limite: o banho de mar e um chopinho à beira da praia. Para mim, sempre houve mais significados. Gosto de olhar o mar, o vai e vem das ondas e o que elas vêm contando no seu marulhar; suas formações, a beleza das profundezas e todo o mistério da natureza. Isso sim, me fascina.
  
Assim eu viajo, observando por onde passo, como os pequenos e os grandes detalhes são importantes, guardando as histórias que ficam retidas na minha mente.
  
Dia desses, indo para o Rio, começando subir a serra de Teresópolis ao amanhecer, mais ou menos uma seis horas, vi com encantamento um magnífico arco-íris. Posso afirmar que foi o mais lindo que presenciei em toda a minha vida. Estava nítido. Suas cores bem distintas brilhavam tocadas pelo sol que ainda acordava, parecendo nos acompanhar naquela subida.
  Houve momentos que dava a impressão de passarmos sob ele. Era grande, parecendo unir uma ponta de serra a outra. Deslumbrante. Meu pensamento falava alto e eu lhe pedia para permanecer ali por mais tempo. Queria olhá-lo mais e mais, e então senti que o tinha fotografado na memória e guardado suas cores em meus olhos para quando estivesse triste visse seu colorido. Assim minha alma poderia refazer-se com suas tonalidades banhadas pelo sol e a alegria ia poder sobressair como suas cores entre as brancas nuvens do amanhecer.
 
E assim continuo a viajar, aproveitando as belezas que me são oferecidas por Deus, pela natureza e pelas mãos dos homens.
 
Fico muitas vezes feliz quando as pessoas vêm falar comigo: - “Viajei com você”. Isso quando escrevo sobre as minhas excursões..
 
Acredito que me torno convincente ao relatar o que vi e por onde andei. Vejo o sorriso dessas pessoas, como sonharam e como embarcaram comigo para diferentes lugares. Vejo também que enxergaram às belezas, a cultura, as cores e por instantes ficaram felizes como eu sempre fico.
 
Obrigada por me acompanharem nesses meus sonhos realizados, pois em cada canto que vou sempre associo às coisas da minha cidade a tudo que vejo.
 
Vocês leitores, companheiros de viagem, me fazem lembrar o escritor MARK TWAIN que dizia: “não se pode ter uma visão ampla, abrangente e generosa dos homens e das coisas habilitando num cantinho do mundo a vida inteira”.
 
Mesmo em pensamento, façam viagens.


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