Pág.6-Nº110-Jan/09
                                                                           

                                                    

                                                     Conhecendo o Passado

 Leio com indescritível prazer a história de minha cidade natal - Eugenópolis- pequena e antiga, situada na zona da Mata Mineira, perto da cidade de Muriaé. Situa-se num vale que podemos denominar de Vale do Gavião por ser banhada pelo rio que leva esse nome. Longe daqui? Não, muito perto. Fazemos divisa com o Estado do Rio através da estância hidromineral Águas do Raposo. Sabe-se que o atual território que corresponde hoje ao Estado de Minas Gerais pertenceu à capitania do Rio de Janeiro e à área do Estado de S. Paulo hoje. Somos quase que uma mesma região.
 Leio e experimento uma emoção sempre renovada. Desvendo minha terra natal como se desvendasse a história de Miracema, pois ambas me enternecem e proporcionam um desenrolar de emoções em dose dupla. Dividida entre as duas cidades, guardo a saudade e a ternura necessárias que se deve cultivar pela terra natal, ao mesmo tempo que me enterneço sobremaneira, com a cidade amiga que me acolhe e valoriza como a uma filha e, o que é interessante, as duas guardam proximidade e semelhanças incríveis. Pergunto se o que digo interessa a Miracema? Pesquisem e verão que sim nos relatos dos acontecimentos, na movimentação de nossos antepassados trocando de lado através das regiões, adquirindo terras, deixando suas marcas, seus descendentes e seus empreendimentos. A área, hoje, Estado de Minas Gerais, pelos idos do século XIX e princípio do século passado, tratava-se de uma fértil região cortada por caudalosos rios, fechada por matas virgens de exuberante fauna e flora - a zona da Mata Mineira - imensa extensão de terras com um único povoado, a Vila do Rio Pomba. Sob o comando de Constantino José Pinto, possivelmente o dono daquela vastidão, dali partiam os desbravadores dominando índios.
 Viajo no tempo, imaginando o trabalho de nossos antepassados firmando raízes na história dos povoamentos. Antigas famílias, cujos descendentes hoje conhecemos, integrando seus trabalhos aos dos primeiros imigrantes- os portugueses e os espanhóis. Vejo meus antepassados dentre os pioneiros organizadores: os Rodrigues Pereira, os Monteiros de Barros, os Nogueiras de Matos - por parte de meu pai; e, os Carvalhos, os Friaças e os Prazeres e outros, pelo lado de minha mãe - meus avós, bisavós, trisavós,etc. Mais tarde, os imigrantes italianos contribuindo com a história da comunidade. Da família Barbuto descende meu esposo e meus filhos.
 Como em Miracema: a presença dos índios puris, os primeiros desbravadores, o surgimento das fazendas, as doações de terras, a Capela de S. Sebastião da Mata, depois vendida à D.Luíza Maria de Jesus ( possivelmente bisavó de meu pai), que transformou a antiga sede em fazenda S. Manoel, vindo depois a transformar-se em Vila S. Manoel e a emancipar-se de Muriaé em 1891, passando a município. Mais tarde, 1943, a cidade de Eugenópolis cujo nome homenageia o Cel. Eugênio Monteiro de Barros seu emancipador. Documentação fidedigna mostra a farta exposição de atas, fotos, eventos sócio-culturais, festividades, banda 22 de novembro, volta dos ex-pracinhas, o surto de febre amarela, e muito mais. Um desenrolar de fatos que mostram um fomentado idealismo cultural, o que escancara para nós, hoje, a aridez em que vivemos, nesse sentido, frente ao altruísmo cultural da antiga época. Fato inverso acontece em Miracema que cada vez mais preserva e enaltece seu patrimônio sócio – histórico - cultural
 Jornais diversos passaram:"A União", "O Colibri", "O Novo Século", "A Almenara," "O Labor"...um lastro de criatividade e cultura. Do "A Almenara" possuo um precioso e roto exemplar, (1915), gentilmente cedido pelo eminente advogado miracemense Dr. Roberto Ventura Lopes, um achado nos antigos guardados de seu pai. "O Labor, constituiu, até a morte de meu tio avô, seu criador, Sr. Onofre Barros, um interessante periódico com notícias variadas, comentários, versos, convites, propagandas, etc. Contam que, em certa ocasião, tendo o autor passado a criticar ferrenhamente o prefeito da cidade, o mesmo, aborrecido com as implicâncias do Onofre, resolveu pedir ajuda ao delegado, compadre e amigo que respondia pelo sobrenome de Espírito Santo. Numa visita amistosa ao escritor - o delegado, o prefeito e próprio filho- decidiram dar conselhos ao jornalista sugerindo o fim das críticas que fazia ao governo local e ao partido reinante. Acontecendo a visita, no domingo seguinte com a edição do O Labor, divertiram-se os leitores com as respostas de tio Onofre aos conselhos recebidos. Hilariamente, concluiu seu texto com a observação: "Que pai; "Que filho; "Que Espírito Santo!"

    

                                                                                       Amanhã o sol voltará a brilhar


 A chuva já passou e deixou para trás um rastro
 De tristeza, muita tristeza.
 Casas desabadas, lágrimas, dor, morte, terra...
 Lama...muita lama...uma lástima!
 Pessoas em busca de socorro. Pessoas desaparecidas.
 Pessoas tentando salvar alguma coisa.
 Crianças chorando de fome, frio, dor, medo!
 Gente lastimando. Um enorme desespero por tantos anos de trabalho perdido.
 Pelo dia a dia sofrido, vendo tudo ir por água abaixo.
 A dor... tudo perdido, tudo... até mesmo a dignidade ...
 Sonhos desfeitos. Vidas apagadas.O mundo desabou sobre essas pessoas.
 Meu Deus, a natureza em fúria levou tudo!
 Águas revoltas, barrentas, carregando tudo que encontrava numa força incontida.
 A enxurrada transformava tudo num imenso rio por onde eram levados
 Os sonhos, as ilusões... as esperanças de dias melhores...
 Por que Deus permite isso? Por quê?
 Por que temos que passar por isso? Temos que viver esses momentos?
 Todos são solidários. Pessoas que tinham tão pouco, ajudando
 A quem tinha muito, mas... perdeu tudo.
 A solidariedade é grande! A dor faz-nos acreditar que
 Deus está olhando por todos. Que Deus está nos segurando pela mão.
 Que tudo vai passar. Que esses tsunamis da vida
 Vão nos deixar com mais força, com mais fé para recomeçar.
 Quando as águas baixarem, haverá a alegria do reencontro.
 Reencontro de pessoas que não puderam voltar para casa.
 Dos filhos separados dos pais. Dos amigos, parentes.
 O coração vai bater mais forte. Os sonhos surgirão novamente.
 Vamos lutar pelos nossos sonhos! Não desanime. Vamos sorrir.
 Vai ser difícil! Muito sofrido! Temos que ter esperanças!
 Uma vida sem sonhos é uma vida sem graça, sem objetivos.
 Vai ser difícil, mas sei que todos terão forças.
 Amanhã o sol votará a brilhar e tudo será diferente
 Acredite nisso!

 
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