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Conhecendo o Passado
Leio com indescritível prazer a história de minha cidade natal - Eugenópolis- pequena e antiga, situada na zona da Mata Mineira, perto da cidade de Muriaé. Situa-se num vale que podemos denominar de Vale do Gavião por ser banhada pelo rio que leva esse nome. Longe daqui? Não, muito perto. Fazemos divisa com o Estado do Rio através da estância hidromineral Águas do Raposo. Sabe-se que o atual território que corresponde hoje ao Estado de Minas Gerais pertenceu à capitania do Rio de Janeiro e à área do Estado de S. Paulo hoje. Somos quase que uma mesma região. Leio e experimento uma emoção sempre renovada. Desvendo minha terra natal como se desvendasse a história de Miracema, pois ambas me enternecem e proporcionam um desenrolar de emoções em dose dupla. Dividida entre as duas cidades, guardo a saudade e a ternura necessárias que se deve cultivar pela terra natal, ao mesmo tempo que me enterneço sobremaneira, com a cidade amiga que me acolhe e valoriza como a uma filha e, o que é interessante, as duas guardam proximidade e semelhanças incríveis. Pergunto se o que digo interessa a Miracema? Pesquisem e verão que sim nos relatos dos acontecimentos, na movimentação de nossos antepassados trocando de lado através das regiões, adquirindo terras, deixando suas marcas, seus descendentes e seus empreendimentos. A área, hoje, Estado de Minas Gerais, pelos idos do século XIX e princípio do século passado, tratava-se de uma fértil região cortada por caudalosos rios, fechada por matas virgens de exuberante fauna e flora - a zona da Mata Mineira - imensa extensão de terras com um único povoado, a Vila do Rio Pomba. Sob o comando de Constantino José Pinto, possivelmente o dono daquela vastidão, dali partiam os desbravadores dominando índios. Viajo no tempo, imaginando o trabalho de nossos antepassados firmando raízes na história dos povoamentos. Antigas famílias, cujos descendentes hoje conhecemos, integrando seus trabalhos aos dos primeiros imigrantes- os portugueses e os espanhóis. Vejo meus antepassados dentre os pioneiros organizadores: os Rodrigues Pereira, os Monteiros de Barros, os Nogueiras de Matos - por parte de meu pai; e, os Carvalhos, os Friaças e os Prazeres e outros, pelo lado de minha mãe - meus avós, bisavós, trisavós,etc. Mais tarde, os imigrantes italianos contribuindo com a história da comunidade. Da família Barbuto descende meu esposo e meus filhos. Como em Miracema: a presença dos índios puris, os primeiros desbravadores, o surgimento das fazendas, as doações de terras, a Capela de S. Sebastião da Mata, depois vendida à D.Luíza Maria de Jesus ( possivelmente bisavó de meu pai), que transformou a antiga sede em fazenda S. Manoel, vindo depois a transformar-se em Vila S. Manoel e a emancipar-se de Muriaé em 1891, passando a município. Mais tarde, 1943, a cidade de Eugenópolis cujo nome homenageia o Cel. Eugênio Monteiro de Barros seu emancipador. Documentação fidedigna mostra a farta exposição de atas, fotos, eventos sócio-culturais, festividades, banda 22 de novembro, volta dos ex-pracinhas, o surto de febre amarela, e muito mais. Um desenrolar de fatos que mostram um fomentado idealismo cultural, o que escancara para nós, hoje, a aridez em que vivemos, nesse sentido, frente ao altruísmo cultural da antiga época. Fato inverso acontece em Miracema que cada vez mais preserva e enaltece seu patrimônio sócio – histórico - cultural Jornais diversos passaram:"A União", "O Colibri", "O Novo Século", "A Almenara," "O Labor"...um lastro de criatividade e cultura. Do "A Almenara" possuo um precioso e roto exemplar, (1915), gentilmente cedido pelo eminente advogado miracemense Dr. Roberto Ventura Lopes, um achado nos antigos guardados de seu pai. "O Labor, constituiu, até a morte de meu tio avô, seu criador, Sr. Onofre Barros, um interessante periódico com notícias variadas, comentários, versos, convites, propagandas, etc. Contam que, em certa ocasião, tendo o autor passado a criticar ferrenhamente o prefeito da cidade, o mesmo, aborrecido com as implicâncias do Onofre, resolveu pedir ajuda ao delegado, compadre e amigo que respondia pelo sobrenome de Espírito Santo. Numa visita amistosa ao escritor - o delegado, o prefeito e próprio filho- decidiram dar conselhos ao jornalista sugerindo o fim das críticas que fazia ao governo local e ao partido reinante. Acontecendo a visita, no domingo seguinte com a edição do O Labor, divertiram-se os leitores com as respostas de tio Onofre aos conselhos recebidos. Hilariamente, concluiu seu texto com a observação: "Que pai; "Que filho; "Que Espírito Santo!"
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