Fazenda Araponga - A casa onde nasci
A Casa onde eu morava Era toda caiada de branco As janelas pintadas de azul colonial No alpendre, somente uma mesa e um banco A gata pachorrenta vivia na janela Chilom, o cachorro branco e marrom À noite o vento soprava frio Dos insetos, ouvia-se o som As galinhas bicando as gramas Os cavalos em volta a pastar Os pássaros cantando alegres As samambaias ao vento, a balançar As águas do ribeirão Araponga Água limpa e cristalina Corria suave sobre as pedras E a bica de bambu, a jogar na tina Minha avó acariciava minha cabeça Minha tia sempre rabugenta Minha mãe cantando velhas cantigas Trazendo-nos uma doce sonolência Na cozinha o fogão a lenha O fogo sempre a crepitar Com lingüiça e toucinho pendurado Que ficavam pra defumar Passados os anos, já velho Um dia lá voltei O ribeirão apenas um fio d`água Confesso, que triste chorei As frutas caídas maduras A bica de bambu não mais havia As janelas descoloridas Minha avó e minha tia, já não mais existiam Moro hoje na grande cidade No começo de nova família Meus parentes todos se foram Eu também irei um dia. |
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Líderes transformam a comunidade
A linha do tempo da Pastoral da Criança é repleta de histórias de esperança, conquistas, superação das dificuldades e transformação da realidade. O acompanhamento das famílias, crianças e gestantes é um exemplo do que a sociedade organizada é capaz de fazer para solucionar os problemas sociais. Em Miracema também não é diferente, sendo o momento atual de retomada de caminhada. No mês de fevereiro estaremos divulgando os números de acompanhamentos, de comunidades atendidas, de famílias acompanhadas e das novas coordenações nas duas paróquias (Santo Antônio e Nossa Senhora Aparecida). Quando os pais recebem a visita dos líderes da Pastoral da Criança aprendem mais sobre como cuidar das crianças, sentem-se amparados e fortalecidos para seguir em frente. Com coragem, o voluntário orienta a família sobre os direitos e deveres e, juntos, lutam por uma melhor qualidade de vida, com cidadania. A articulação comunitária é o ponto de partida também para a participação no controle social. Os voluntários da Pastoral da Criança ouvem as pessoas e procuram entender os problemas que afetam a vida das crianças, como a violência, desemprego, injustiças, falta de moradia e todas as situações que precisam ser enfrentadas. O controle social ganhou um reforço em 1996, com a criação da REBIDIA – Rede Brasileira de Informação e Documentação sobre Infância e Adolescência. Os conselheiros, especialmente de saúde, encontram nesta Rede o apoio necessário para propor políticas públicas que visem à melhoria da qualidade de vida da população. Hoje, centenas de municípios contam com articuladores da Pastoral da Criança junto aos Conselhos Municipais de Saúde. Eles estudam as causas da mortalidade infantil, participam das reuniões do conselho municipal de saúde e da Pastoral da Criança. Todos os meses enviam informações para a Coordenação Nacional, por meio da Folha de Acompanhamento do Conselho de Saúde (Fac Saúde). Segundo o Gestor de Relações Institucionais da Pastoral da Criança, Clóvis Boufleur, a Pastoral da Criança só estará completa quando esta ação estiver implantada, tendo como meta um articulador atuante em cada município. Em Miracema temos três Articuladores capacitados: Gilma Pereira, Juliana Silva e Regina Titonelli. Ele informa também que ao longo das últimas eleições, a Pastoral da Criança convocou os candidatos para assumir o compromisso com a honestidade na vida pública. Há uma luta por uma atuação política para melhorar o acesso, a humanização e a qualidade dos serviços públicos, especialmente os das áreas da saúde, educação, meio ambiente, segurança alimentar e assistência social, com prioridade absoluta às crianças e gestantes. O compromisso de ajudar a população nasce do coração daqueles que entendem que precisamos construir uma sociedade mais justa e fraterna, na qual todos tenham direito à vida plena. Em todo o Brasil, a Pastoral da Criança oferece oportunidades e condições para que as lideranças comunitárias se mobilizem e façam acontecer as mudanças locais. A participação da pastoral no controle social dos recursos públicos ajudou a mudar o Brasil nos últimos 25 anos. Líder, graças a você a Pastoral da Criança demonstra que é possível viver com fé, respeitar as diferenças e oferecer respostas contínuas e atualizadas de transformação.
(Adaptação: Jornal P.Criança setembro/2008)
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A SEREIAZINHA
Foi história sofrida da minha infância. Ela, conseguir suas pernas, seu aspecto humano, perder suas escamas e rabo de peixe era maravilhoso. Mas, precisar enfrentar a bruxa do mar que, para atender seu pedido, fez com ela uma troca: um par de pernas pela língua. Na sua ingenuidade, a jovem apaixonada aceita a oferta, para depois descobrir que não poderia declarar seu amor ao príncipe que salvara do naufrágio. Sempre que me lembro desse detalhe, sofro como sofri em criança. Mudar o final? Não preciso. A Disney já fez por mim. A sereia tornada humana, tem amigos marítimos que a ajudam na batalha travada contra a bruxa e ela conserva suas pernas recuperando sua língua. É bom. É final feliz, mas e o travo de ter conhecido a história na década de 40? Como aceitar o happy end Hollywoodiano? Estaria mentindo para mim? Conseguiria esquecer o que sofri? Talvez o melhor fosse: a sereia não cair na conversa da bruxa, perceber ali sua má fé e aceitar ser sereia para sempre desde que seja o sonho recorrente do príncipe.
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