Pág.3-Nº111-Fev/09
                                                                                        

 

                                                                                                           O FOGUETE
 
 O barulho foi ensurdecedor. Num raio de 10 quilômetros a planície reverberou e chão tremeu, desestabilizando até o vôo dos pássaros. Os bichos do céu e da terra procuravam abrigo desordenadamente. O ronco ia aumentando de intensidade, parecia não ter fim. Uma imensa bola de fogo brilhou naquela manhã de domingo. Densa cortina de fumaça ocultava a visão da multidão postada a cinco quilômetros de distância. Alguma coisa muito grande parecia sair diretamente do mar, que ficava bem perto.
 Vagarosamente o poderoso foguete qual enorme leviatã foi decolando, livrando-se das amarras que o prendiam à plataforma e jatos de fumaça branca se dispersavam no ar. Quando o vento a dissipou foi que o vimos, majestoso, alto como um edifício de 50 andares, deslizando lentamente na direção do espaço. Na ogiva levava seis satélites: - TRABALHO – SOLIDARIEDADE – HONESTIDADE – AMOR – RESPONSABILIDADE – DISCIPLINA construídos nas oficinas da ESPERANÇA - BRASIL - e com eles o testemunho do progresso e soberania de um povo.
 Lentamente víamos aquele corpo imenso rasgando os ares e em seu costado lia-se verticalmente a palavra B – R – A – S – I - L, com sua bandeira acenando a paz e a esperança para todos os povos da terra, mostrando ao mundo a capacidade do homem brasileiro. O gigante acelerava continuamente na direção do universo e quatro jatos de fogo brilhavam intensamente contra o céu azul.
 A multidão explodiu em ovações e extremo orgulho cívico pela grande conquista da ciência nacional. Muitos choravam de emoção. Militares faziam continência, crianças inesperadamente fizeram silêncio e olhavam fixamente para cima. Os velhos tiravam seus chapéus descobrindo os cabelos brancos em respeito aos seus cientistas. O país dava vazão ao seu entusiasmo.
 E com toda razão, pois não havia mais fome, analfabetismo ou infância desamparada, todos tinham medicamentos diversificados e baratos, casa própria, saneamento básico, segurança pública, não existiam mendigos esmolando nas esquinas e praças, nem desempregados, nem cadeias superlotadas. Já não tínhamos meninos de rua, crianças cheirando cola e fazendo pequenos assaltos. Desapareceram a AIDS, a Tuberculose, a Malária, a Gastroenterite. Tínhamos vacinas contra todas as doenças infecciosas e as sexualmente transmissíveis. Não existia paternidade irresponsável, mães solteiras, desquites e divórcios, jovens viciados em tóxicos e abortos. Álcool e o fumo foram proibidos em todo território nacional. A família estruturada tornara-se o sustentáculo da nação. Nossas crianças, nossos velhos e deficientes eram protegidos pelo poder público e pela sociedade, sendo reconhecidos os direitos a uma aposentadoria justa por tudo que deram para o seu país. Não faltavam leitos hospitalares, os pacientes eram tratados como seres humanos. Os professores eram reconhecidos pelos governos e respeitados pelos alunos, afinal de contas eles foram e sempre serão o esteio da nação, os responsáveis diretos pelo progresso do país. Prêmios Nobel eram dados aos pesquisadores nacionais em todos os ramos da ciência.
 Mas, de repente, o repicar dos sinos da Igreja Matriz me acordou. Para minha infelicidade e do meu país eu estava sonhando! Tudo não passara de um sonho. Não estarei aqui para presenciar, mas embora tenha sido um sonho, sei que um dia chegaremos lá e é tudo que eu desejo para o nosso Brasil e seu povo.
 No entanto, para conseguirmos isto temos que melhorar, e muito, a qualidade da nossa educação, disciplina e responsabilidade, sermos brasileiros de verdade, porque com o combustível atual nem tão cedo nosso foguete alcançará empuxo suficiente para sair da rampa de lançamento!



 

 

 - Todos reclamam reformas, mas ninguém quer se reformar. (Marquês de Maricá)

 - Os homens são como relógios: uns se atrasam, outros se adiantam, poucos regulam bem. (Marquês de Maricá).

 - É mais fácil perdoar os inimigos quando não temos meios de nos vingar deles. (Heinriquck Heine).

 - Nomes: As Marias nasceram para sofrer.As Madalenas frequentemente se arrependem. As Martas têm coração aberto e compassivo. As Ineses vão para o céu. As Saras vivem ás voltas com as estações de água. As Aídas gostam de óperas. As Salomés sabem dançar maravilhosamente. (Berilo Neves)

 - Um quinto do povo é contra tudo o tempo todo. (Robert Kennedy)

 - Deus perdoa... A natureza não. (Carmem Silva).

 - O amor ao dinheiro cresce tanto quanto o próprio dinheiro. Quanto mais temos, mais desejamos. ( Aristóteles).

 - “O pobre se preocupa com o que lhe falta; o rico com o que lhe sobra”.

                               

          

                                                         

                                                                                   Nova Iluminação

 Por várias noites chuvosas, o meu pequeno coqueiro, que completava a paisagem do meu lado esquerdo resplandecia iluminado por um flash de luz, tendo uma parte sua brilhante como ouro. Era lindo de se olhar: a luz incidida em suas folhas, quando recentemente molhadas pela chuva, fazia-o destaque naquele jardim. O silêncio da noite tornava-o ainda mais bonito e dourado, depois da chuva passageira.
 
É agradável capturar imagem que nos mostram uma relação mais íntima com o belo.
 
Do meu terraço, muitas vezes eu o apontava: “eis meu coqueiro de ouro”.
 
Um dia, como sempre acontece, tudo muda. A iluminação já não é a mesma e sua majestade, o coqueiro, deixou de brilhar. O poste alto que era responsável por aquele cenário, dera lugar a uma nova iluminação que não provoca o mesmo efeito de antes. Pequenos focos de luz foram se multiplicando fazendo clarear várias e velhas árvores dando-lhes efeitos que jamais tiveram e o que o meu coqueiro perdeu, dera então vida a muitas outras plantas quase desprezadas.
 
É claro, tenho que me conformar. Aquela minha descoberta de uma vista considerada particular, aquela beleza que era exclusividade minha, hoje é de todos. Até as grandes palmeiras que se erguem na Praça foram tomando um azulado especial e bem altas completam no céu, quando azul, uma tonalidade nunca vista anteriormente, devido à luz projetada aos seus pés.
 
Tenho que me render. Ficou melhor assim. Abro mão do era só meu, em benefício de todos, com muito prazer.
 
Espero que muitos consigam ver e por muitos anos, essa maravilha e dela possam desfrutar o máximo dos dias que se emendam uns aos outros numa nova e prazerosa rotina com muita luz, que é uma das coisas mais bonitas de se ver. Através do seu reflexo, dependendo do prisma, uma folha molhada pode dar a visão do ouro, a gota da chuva pode se tornar um brilhante e as cores modificadas poderão dar à nossa vida um colorido mais precioso, especial e atraente.

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