Pág.8-Nº131-Out/10



Tema: (Dia do Mestre: 15/10/)

Ser mestre é levar a brisa
Do saber real, profundo.
Quem ouve sua voz realiza,
Maravilhas num segundo.


Tema: (12/10: Dia da Criança)

Se o mundo não oferece,
O amor às nossas crianças.
Em suas vidas o ódio cresce,
Abafando as esperanças.


Tema:
 (04/10: Dia da Natureza)

Sou mesmo amante, não nego.
Deito em sua total beleza.
Abra o olho, não seja cego,
Sinta o amor da natureza.


Tema: (Dia do Poeta)

Ser poeta é viajar,
Em suas inspirações.
Ir às nuvens ou ao luar,
Sorrir, chorar emoções.




    

 

 O dia amanheceu trazendo o sol mais quente. Era sinal de que o inverno estava se despedindo da paisagem.
 
As violetas encabuladas abriam-se aos poucos, enfeitando o parapeito da varanda. As samambaias “descabeladas” balançavam, lambendo os lírios que se desenrolavam na presença do calor do sol, mostrando sua pureza. A orquídea teimava em permanecer com os botões entreabertos, parecia se sentir superior às demais flores e ao tempo que mudava. Os pardais em bandos trinavam e em voos rasantes passavam por sobre as plantas, anunciando a nova estação. Era a primavera que vinha chegando para mostrar que faz parte da vida de cada ser.
 
A temporada das flores se aproxima, esperando que nuvens amigas chorem sobre o ressequido tempo do inverno, colocando o verde nas pastagens e nas matas.
 
A natureza é perfeita. Outro dia, passando por uma estrada, vi sobre um pequeno morro, árvores secas e o chão coberto por capim estorricado pelo sol. A alguns metros delas, a mão de Deus se fez através de um lindo ipê, destacando-se naquele lugar. Como uma benção do céu, ele estava cheio de flores. O vento o tocava sôfrego, fazendo com que dezenas delas caíssem, formando um tapete a seu redor. Parei o carro e fiquei ali a apreciá-lo. Sua cor amarela brilhava aos raios do sol, transmitindo vida àquele lugar. Era um cartão postal  debaixo daquele céu azul de inverno.
 
Para completar o início da primavera, a música se fez presente nos primeiros dias do mês. Veio para alegrar as almas dos miracemenses, quando da apresentação do XXII Recital do professor Carlinhos Moreira.
 
Do clássico ao popular, o professor sensibilizou todo o público com os violões de seus alunos, com o teclado de Sandro Rosa, com o chorinho do cavaquinho de Jadinho Alvim e pela apresentação do professor violonista Moacyr Teixeira Neto, brasileiro, que levou sua arte a Milão (Itália). Parabéns!
 
E a música nesses dias continuou tocando a alma de nossa cidade, com a comemoração dos 112 anos da “inovada” Banda Sete de Setembro. Inovada, sim, por jovens músicos que dia a dia aprendem a respeitá-la, amá-la, lutando para mantê-la VIVA, convidando o povo para chegar a “janela” e vê-la passar.
 
Além desses sinais primaveris, a juventude miracemense também espera a chegada das flores, das tardes ensolaradas sopradas pelo vento, a fim de aquecerem os corações que estão aguardando esse tempo.
 
É um tempo inspirador e cheio de luz.
   Ao sair do Recital de Música, passei pela Praça dos Estudantes e me surpreendi com a quantidade de pessoas felizes, alegres, espalhadas em mesas, jogando conversa fora. Comparei o que via e, rapidamente associei tudo aquilo a Primavera em Barcelona (Espanha).
  Barcelona é conhecida como a capital da Catalunha, é uma das mais fantásticas, isso mesmo, fantástica, cidade da Europa, pela sua diversidade. Tem esculturas de artistas famosos enfeitando as ruas, e uma delas, a mais charmosa: RAMBLA (rua de pedestres) que enche de alegria a todos, pelas bancas de flores, músicos, mímicas e muita animação do seu povo, contagiando a outros que ali chegam.
 
As praças são como um só canteiro onde as flores colorem todo o espaço chamando atenção, principalmente,  dos turistas a fim de fotografá-las e apreciá-las. Nelas os pintores catalães expõem seus trabalhos. Lá durante a primavera, o sol se põe às vinte e duas horas e o povo vai para as ruas, praças, bares, restaurantes. Mesas são colocadas ao longo das calçadas e as pessoas se acomodam aproveitando o dia prolongado. É lindo de se ver. São alegres, falam alto, crianças brincam, é como dizia a guia da excursão: - pra eles, sol é vida (o inverno é muito rigoroso). Até as roupas dependuras nas janelas e varandas para pegar sol, fazem  parte da cultura deles, ficam  interessantes  ao olhar do turista.
 
Barcelona é a cidade também dos contrastes. Nas ruas do Bairro Medieval estão os artesãos, cujos ateliês misturam-se  aos bares modernos, frequentado pela alegre população. Sem falar no bairro EIXAMPLE, onde as lojas mais sofisticadas se concentram chamando a atenção para as compras. Barcelona é considerada também a cidade mais “efervescente” da metrópole Europeia, pela vida noturna intensa, e é conhecida como a cidade que não dorme, pelos inúmeros bares e boates.
 
Noite dessas fui olhar a lua da calçada. Ela nasce por detrás das palmeiras e sem medo da escuridão da noite, vem destemida clarear a terra.
 
Estava linda. Parecia um enorme diamante colocado por Deus no veludo negro da noite. De repente, pareceu-me ver movimento em frente às casas, eram os vizinhos da rua colocando as cadeiras nas calçadas para aproveitarem a claridade da lua e trocarem assuntos. Era tão familiar, aconchegante mesmo, ficar batendo “papo” até mais tarde e ver a lua já cansada, começando a se deslocar em direção ao poente. Lá  no meio do céu, emanava um brilho, que fazia todos sonharem.
 
A saudade me fechou os olhos e quando os abri, estava só, olhando para a lua que estava se escondendo atrás de uma nuvem que apareceu, sem que eu percebesse. E ainda a admirando, perguntei-lhe  o porquê de tudo aquilo ter findado. Daí a segundos obtive a resposta. Veio se aproximando um carro, com um som estridente – aquele que estremece portas e janelas – então, cai na real, senti que o TEMPO é implacável e para continuar apreciando-a, tinha que ser como ele (tempo) queria. Sem cadeiras nas calçadas, sem a quietude das noites, sem as pessoas que tanto me marcaram, deixando lembranças.
 
Rápido, veio um vento forte alertando que já é primavera e aí fiquei a imaginar: o que ele leva quando passa, o que ele traz de volta, o que ele vem contando de outras terras e de outros cantos.
 
Fiquei parada tentando ouvi-lo e ele me cochichou:
- sou o vento que anuncia as belas tardes de primavera chamando as cigarras para com seu canto antecipar o verão.
- Sou o vento que sopra as folhas secas que tresloucadas voam sem destino para qualquer lugar.
- Sou o vento que faço as nuvens encobrirem a lua, ofuscando sua beleza.
- Sou o vento que desperta a todos mostrando que a vida é uma eterna primavera.
 
Naquele momento me dei conta do TEMPO, como disse, ele é implacável, porém verdadeiro. E como o tempo agora é PRIMAVERA, posso sentir, ouvir e bendizer a realidade e continuar com meus sonhos.

Suave e eterna lembrança


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