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JOAQUIM DE ARAUJO PADILHA
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Homem que trouxe a estrada de ferro para Miracema. Foi esse um dos grandes nomes dessa região pelas circunstâncias que o mantiveram fazendeiro. O destino, também, não lhe marcou bem a trajetória. Um intelectual obrigado a ser burguês; político ativo, tolhido pelo meio conformista, assim decorreu sua vida. Tentou a cultura intensiva e racional do fumo, mas foi pena que seu intento não tenha vingado entre nós. No entanto, o seu grande senso prático, simultaneamente, dava forma material à sua grande aspiração que era a vinda da Estrada de Ferro de São Fidelis para Miracema, pelo traçado de sua autoria. Foi uma luta sem tréguas a que ele sustentou até a esplêndida vitória. Joaquim de Araújo Padilha tinha sempre que medir forças comuns com chefes do Partido Conservador, como Manoel Bernardino de Barros dono da opulenta Fazenda Santa Inês. Era um verdadeiro campo de experiências mecânicas agrícolas mantidas às suas custas. Esse inolvidável cidadão também planejou a vida inteira montar a primeira Usina de Açúcar da Região, existindo ainda nessa fazenda os remanescentes de sua grande tentativa. Batalhou outro tanto para conseguir a vinda da Estrada de Ferro Central do Brasil de Porto Novo a Miracema, cujo desejo fosse realizado, talvez tivesse obrigado a Leopoldina a parar seus trilhos em Três Rios e não ir de Porto Novo a Carangola. Tendo Joaquim de Araújo Padilha conseguido a vinda da Estrada de Ferro Macaé Campos para Miracema, hoje Leopoldina, dizem que o Coronel Bernardino magoado com isso despachava suas mercadorias na Estação de Capivara, hoje Palma. Quando Miracema, então Arraial de Santo Antônio dos Brotos, era Distrito Policial da Comarca de São Fidelis, o Sr. Araújo Padilha por seu prestígio pessoal conseguiu ser eleito vereador na respectiva Câmara Municipal. Nessa época, não se usava, por aqui, o termo "Líder" e por isso era o "cabeça " do Partido Conservador no recinto. Moço, preparado e recém formado, discursando de maneira brilhante, numa demonstração espetacular dos seus conhecimentos humanísticos, fez uso repetidas vezes de felizes citações em francês. Dos presentes somente Araújo Padilha estava entendendo o eloquente tribuno adversário. Gigante era nas coisas do pensamento porque tinha para isso cultura e talento, foi tomando nota das citações que deviam ser respondidas. Nesse memorável dia, dizem que a cidade de São Fidelis conheceu o alto grau da inteligência e cultura do representante que lhe mandamos. Com soberbas luzes de seu invejável talento, ele esmagou, seguidamente um a um, todos os pontos com os quais o seu ilustrado contendor havia logrado sucesso, dizendo as suas réplicas em latim, língua que ele conhecia tão bem como a francesa. Escusado é dizer sobre o seu triunfo - foi total. Foi um grande vulto da Região, que merece não ser esquecido por tudo o que fez para a honra de Miracema. Publicado no Estado Novo em 1941;
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"O mais importante na vida é sentir disposição para a solidariedade"
Dia 12 de janeiro, a Pastoral da Criança, no Brasil e em mais 19 países, lembra os dois anos de falecimento de Dra. Zilda Arns Neumann, fundadora da Pastoral da Criança Nacional e Internacional e também da Pastoral da Pessoa Idosa. Em uma das últimas palestras internacionais que Dra. Zilda fez, na Tailândia em 2009, ela lembrava a necessidade de estar sempre disposta para o trabalho, para estender a mão aos que mais necessitam. Reproduzimos um artigo publicado no Jornal "O Solidário", de Porto Alegre, de novembro de 2009. Zilda Arns não necessita de maiores apresentações. Família de 13 irmãos, um deles o ex-arcebispo de São Paulo, cardeal Paulo Evaristo Arns, Zilda tem toda uma vida consagrada à solidariedade com as crianças. A Pastoral da Criança, por ela fundada há 26 anos, vem salvando vidas no Brasil e, hoje, é esperança de vida em vários países da América Latina, na África e na Ásia. De Chiang Mai, na Tailândia, onde a encontramos como principal palestrante do Congresso Mundial de Signis, ela partiu para o Timor Leste, onde a Pastoral realiza um belo trabalho na área da saúde materno-infantil, sua atividade específica. Sempre sorridente e solícita, no meio do seu café da manhã, Dra. Zilda nos falou animadamente, relacionando a solidariedade com a criança com o Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe, com o tema do Mutirão: Processos de Comunicação e Cultura Solidária. "Para preparar o coração solidário é preciso começar muito cedo com as crianças. Já no ventre materno cantar, rezar, contar em voz alta o que gente quer que ela seja, passar a mão na barriga, dizer... 'te amo muito', criando a criança com espírito de amor. Deus preparou muito bem a criança para ser solidária. Outro aspecto é o aleitamento materno, onde a criança passa horas recebendo o carinho, palavras de ternura, afagos da mãe. A criança aprende, assim, a ouvir, a sentir-se amada, querida. O aleitamento não é importante apenas para a saúde para o resto da vida, mas é principalmente importante para o desenvolvimento emocional. A fortaleza de uma pessoa está na força que ela tem de amar." O que dá força a uma líder (pessoas capacitadas para aplicar o projeto da Pastoral da Criança, 92% delas mulheres, leigas e religiosas) para visitar uma gestante, uma família, deixar tudo e enfrentar toda sorte de dificuldades, é amor. A líder, movida pelo amor solidário, é assim como Jesus no episódio de Emaús: os discípulos estavam alegres, felizes, Jesus estava no meio deles, eles não sabiam, só o reconheceram ao repartir o pão. Assim, a líder tem uma alegria extraordinária... chamam a Pastoral da Criança, a pastoral da alegria, da esperança, apesar de todo o contato que ela tem com a pobreza, a violência, a exclusão social. "A solidariedade é o que realmente salva as famílias. Na família, todos devem ajudar solidariamente um ao outro, cada um com seu jeito. Isso a criança deve ver e sentir desde pequena e ela também ajudando. Hoje, o que mais falta é o espírito de solidariedade. É a falta de solidariedade que leva à depredação da natureza, às guerras, à violência em geral. Pela falta de amor solidário a mãe Terra não é a casa... aquele lar de todos, onde todos têm direito a tudo. Eu ficaria muito feliz se a comunicação focasse muito a solidariedade (...) Noto em mim que, quanto mais solidária sou, mais feliz eu sou. Quando a gente dá, a gente não perde, a gente recebe muito mais. A solidariedade deve fazer parte na educação, na família e na escola; isso prepara as pessoas para os limites, para o respeito o que as torna mais amorosas e as faz viver no verdadeiro espírito de solidariedade."
Jornal O Solidário - Porto Alegre Attilio Hartmann 11/2009
Agradeço a Deus por um dia ter sido convidada por duas Médicas de Miracema, Dra Silviane e Dra Glória ( o trabalho da Pastoral da Criança começou em Miracema, em 1996, inicialmente por motivação destas duas "Médicas Guerreiras"), claro, depois os contatos, capacitação, através da Igreja Católica (CNBB) e as primeiras capacitadoras, pessoas encantadoras, entusiastas e de muito envolvimento: as duas religiosas Irmã Thereza Fernandes e Irmã Otávia – Coordenação Estadual a quem Miracema fica eternamente grata. Deixo aqui uma reflexão de FERNANDO PESSOA sobre o assunto do texto. "Digo-vos: praticai o bem. Por quê? O que ganhais com isso? Nada, não ganhais nada. Nem dinheiro, nem amor, nem respeito, nem talvez paz de espírito. Talvez não ganheis nada disso. Então porque vos digo: praticai o bem? Porque não ganhais nada com isso. Vale a pena praticá-lo por isso mesmo"
Regina Célia Titonelli Nunes Comunicadora Popular da Pastoral da Criança
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"Lua gorda e branca"
Que imagem poética! É o nosso querido Bandeira a espalhar metáforas surpreendentes. Penso na Lua que me acompanha. Fui despertada para o seu encanto quando, em tempos de namoro, Marcello e eu ficávamos no terraço de um hotel em Copacabana, depois de sair do cinema, para assistir o nascer da Lua nos verões do Rio. O calor, naqueles idos de 50, não era tão sufocante, não havia horário de verão e por volta das 19 horas já buscávamos o caminho da minha casa. Depois descobri o simbolismo da Lua cheia no sábado de Aleluia. Todos os anos o domingo de Páscoa amanhece com ela no céu, pois na cerimônia da Ressurreição é a Lua que calmamente aguarda pelo Aleluia cantado, à meia noite, na missa de Páscoa. De 2004 para cá, volta e meia a tenho na tela do meu monitor. São fotos tiradas por telescópios de última geração e, aos poucos, vou conhecendo mais a sua estrutura, o seu movimento orbital em volta da Terra, e fico presa à alegria de, ao acordar, correr para o computador para saber um pouco mais sobre o Universo.
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