Pág.3-Nº112-Mar/09
                                                                                        



                                                                                                      PEREGRINOS

  Caminhava pela estrada da vida há 72 anos aliviando dores e sofrimentos. Não aparentava cansaço, mas preocupação. Vivera desde o início para fazer o bem e agora estava tenso. Assentada na beira da estrada uma senhora toda de branco notou sua angústia e lhe perguntou:
  - O que há contigo, meu amigo? O que te preocupa? Quem sabe eu posso te ajudar?
 Ele pediu licença, sentou-se ao lado dela, olhou-a bem nos olhos e disse:
  - Acho que te conheço! Conheço, sim! Claro que te conheço! Não te lembras de mim?
  - Desculpe-me, não me lembro, afinal de contas, quem és? 
 Ele, então, encarou-a com os olhos brilhantes e disse:
  - Sou mensageiro de vida, de luz e esperança / De boas lembranças e muitos clamores /
  Eu cuido dos velhos, moços, crianças / Sou o peito da mãe repleto de amores.
  Sou o amigo perene com as portas abertas / Que de dia e de noite está sempre a lutar,
  Lutar contra a morte, eterna ameaça / De quem a saúde não pode comprar.
 - A quem ajudas? 
 - Ao povo que luta que sofre e lamenta / Sou um pai generoso e irmão sorridente /
  Apoio o sofrido com braço bem forte / Consolo os doentes, na vida e na morte!
  Nos quartos modestos os seres humanos / Deitados, sentados, cansados, sem sorte
  Recebem de mim o auxílio e o conforto / Na dura tarefa: lutar contra a morte.
  - Quem é que te procura?
  - A gente excluída, sem emprego, sem pão / Famílias famintas, lutando em vão,
  Crianças carentes, sem vez, sem futuro / O mar de indigentes da grande nação.
  A todos atendo com igual interesse / Se pobre ou rico, não importa a razão,
  O tratar carinhoso, o apoio amigo / Na alegria ou tristeza dou-lhes a mão.
  Ela disse: - Agora sei quem és. Tu és aquele chalezinho na encosta do morro, rodeado de árvores e gramas, com as portas sempre
abertas àqueles que te procuram nas horas angustiadas do sofrimento e da dor; que caminham em busca de tua proteção, de teu carinho, esperando alívio e consolo. No meio da noite, quando a cidade dorme és o único refúgio, o único socorro.
  - Exatamente! Eu os recebo, acolho-os em instalações onde o calor humano ocupa todo espaço, dou-lhes apoio material e aconchego, alimentos do corpo e da alma. Este é o meu trabalho.
  - Isso mesmo! Nem acredito que sejas tu! Trabalhamos tanto tempo juntos e nunca poderia supor que tivesses vida e sentimento.
  - Tenho, sim! E ainda pergunto: por que as autoridades não vêm conhecer de perto o meu trabalho? Por que nunca estão presentes na hora critica? Estou permanentemente de plantão com MÉDICOS FORMADOS, com atendimento de qualidade e, apesar dos recursos limitados, eles estão sempre às ordens, solidários nas dificuldades, amigos entre si, ajudam-se mutuamente, residem aqui ao alcance de todos, dia e noite, atendendo de graça os carentes e desvalidos! E amam esta casa com um amor que não é transferível, nem exigível, nem comprável. O repasse atrasado de seus honorários há 5 meses mantém minhas portas abertas. E eles aceitam, colaboram! Onde existe isso? A região avança, e nós trocamos passos. Necessitamos de ajuda para continuar a cumprir nossa missão.
 - Tudo bem, disse ela, alguém vai ajudar. Ainda temos amigos. Levante! Vamos em frente.
 O Hospital de Miracema e a Medicina levantaram-se da beira da estrada da vida, deram-se as mãos e olhando na mesma direção partiram juntos no rumo do infinito com um resto de esperança e disposição para continuar a eterna luta para aliviar a dor da humanidade.





- Três fundamentos da sabedoria: ler muito, estudar muito, sofrer muito. ( Ugo Foscolo).

- O amor ao dinheiro cresce tanto quanto o próprio dinheiro. Quanto mais temos,mais desejamos. (Aristótelis).

- “O pobre se preocupa com o que lhe falta; o rico com o que lhe sobra”.

- Se os homens quisessem ser felizes, atingiriam facilmente seu alvo; mas cada um quer ser mais feliz que os outros, e não consegue porque sempre crê que os outros são mais felizes do que são. ( Montesquieu).

- Quando todos os outros vícios envelhecem, a cobiça permanece jovem. (Provérbio Latino)

- Todo homem é culpado do bem que não fez. (Voltaire).

- O homem é um pedaço do universo que recebeu vida. (Hemerson)

- A gratidão é a memória do coração. (Provérbio).

                               

          

                                                                                     POR QUE NÃO RELEMBRAR?

 Ela descia aquela escada vestida de longo, como se fosse para uma grande festa. Com seu porte ereto, toda paramentada, indiscutivelmente bela por fora e por dentro, seus passos leves como de uma gazela eram quase um flutuar sobre os degraus.
 Para onde? Para o porão, onde já estava instalado o piano.
 Aquela noite a festa seria para mais convidados e, por isso, foi escolhido o espaço maior da casa. O lugar não importava, a platéia também não. O que pesava para ela era o evento, a beleza do momento, a grandeza de seu inesquecível talento e o gosto incontestável pela música.
 Se não me engano, aquela vez seria para apresentar um compositor seu amigo para nós, os amigos mais próximos ou mais atuais.
 Seu irmão, outro musicista e exímio violinista, também iria abrilhantar aquele acontecimento. Eram, ele e ela, de um desprendimento total quando se tratava de arte. Ele então, que não vivia da música, enfeitava muitas festas sem nenhuma remuneração, somente por prazer, por amor à arte.
 Isso poderá existir? Acho até que não, mas existiu. Eu vivi deslumbrada esse tempo delicioso e encantado.
 Para a apresentação daquele dia eu, toda entusiasmada, preparei também uma letra, e a musiquei mesmo sem saber tocar algum instrumento e muito menos colocá-la na pauta e que eu também não poderia cantar, pelo tom inadequado à minha classificação vocal.
 Lancei mão de uma preciosidade lírica, dona de uma linda voz: Maria Celeste Furtado Montes a qual, tornou possível essa minha exibição que hoje faço pública, como homenagem à prodigiosa pianista.

  Luar e o Terraço

 Era um luar, era um terraço
 Era um azul no espaço.
 Já gritei em verdes campos
 Mas ninguém quis escutar
 Já chorei um grande pranto
 Sufocando o meu penar
 Seriam lindos esses campos
 Se eu soubesse apreciar
 O luar e um terraço
 Aquele azul no espaço
 Quanta escarpa em minha trilha
 Mesmo assim inda sonhei
 Tendo o luar e o terraço eu agora me encontrei
 Deixo o vazio do mundo olhando do seu terraço
 Abrem novos horizontes
 Do seu mundo abre um pedaço
 E assim escutarão o meu cantar sem embaraço
 Onde estiver a beleza da vida
 Na arte na música se envolverá
 Importa só abrir os olhos
 Divina mestra
 Encontrará
 Alma tão pura de se apaixonar.

 


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