Pág.2-Nº132-Nov/10
                                   

“O luar é a luz do sol, que está sonhando.” Esta definição de Mário Quintana direcionada ao nosso satélite é perfeita. Do sonho do sol vem a presença do luar brilhante, para espalhar a luz do astro rei em todos os cantos. E essa luz é distribuída de acordo com o espaço que é oferecido à companheira lua. É uma constante repetição dos fatos, não há como o sol apagar esse seu sonho. E eu completo: “Quando a lua se esconde é porque o sol está para nascer”...  continuar com o seu sonho maior que é iluminar a Terra.
     O ano de 2011 virá nos oferecendo novos sonhos, mas é preciso começar a sonhar ainda esse resto de ano. Todos precisam acreditar e sentir que são capazes de alcançar o que  almejam, mas dentro do possível, embora os poetas afirmem que não existem sonhos impossíveis.  É necessário abrir os olhos para não sentir o ponto final de nossas esperanças. 
  
 Quanta verdade existe neste pensamento de Paulo Coelho: “Saímos pelo mundo em busca de nossos sonhos e ideais. Muitas vezes, os colocamos nos lugares mais difíceis de encontrá-los e eles  estão bem pertinho de nós, bem ao  nosso alcance.”
  
 Sonhar de verdade é fazer com que os nossos sonhos se realizem. Não podemos nos acomodar, resignar com os pesadelos, mas oferecer vida ao que  se quer que viva. O segredo é não desanimar diante do primeiro obstáculo, mas ter coragem de sonhar sem pressa. O importante é a conquista do nosso desejo.
   Coloquemos dentro da alma os sonhos que desejamos realizar. Somente assim, os pesadelos irão embora para que sonhemos os sonhos almejados. Todos eles envolverão os nossos dias  na certeza de que mais cedo ou mais tarde chegarão ao nosso tempo com o nome de esperança.
  Para você que está vendo os seus sonhos desmoronarem, não desanime. Colhamos a rosa da esperança que está dentro deles para oferecê-la aos sonhadores, porque  sem os  sonhos tudo deixa de existir.
  

                                                                                        

 
 
    
                                           EDITORIAL
   Ricarda Maria

 

      

          O ano de 2010  já  está findando.  O tempo voou como uma faísca, deixando a saudade aquecer a nossa alma. Ela está sempre presente em qualquer que seja o nosso momento. Não nos esquecemos do tempo gostoso, inocente de criança. Nossas  peraltices, brincadeiras, atitudes que às vezes não agradavam aos adultos.  Adolescência? Uma mistura dos sentimentos que ficavam sempre entre a criança e o jovem. Não sabíamos o que queríamos, desejávamos mesmo era  conhecer outras realidades. Surgiam os primeiros namoricos.  Vestíamos  como jovens, mas com atitudes infantis. Tínhamos o desejo de liberdade, mas ainda não estávamos preparados para assumi-la. De repente veio  a  juventude com todo o seu fulgor para que fossem completados  os desejos de adolescentes. Conhecemos os primeiros passos para o amor que às vezes ficava ou  desaparecia, para dar  lugar ao amor verdadeiro. Idade chegando e junto com ela as alegrias, tristezas, decepções que continuam, ainda, fazendo  parte da vida.
       
De repente, o nosso pensamento vagueia pelo espaço e nos mostra as fotos com as imagens do passado. Algumas revelam os momentos de total felicidade. Outras, recordam o que a gente gostaria que não fosse verdade mas, infelizmente, os fatos revelam a veracidade dos acontecimentos. Desejamos mudar a página do álbum de nossa vida, mas elas voltam sempre, pois o que ficou é forte demais e não pode desaparecer num abrir ou fechar dos nossos olhos.
       
Está chegando o final do ano. O Natal é o mesmo. Festejaremos o nascimento do Menino Deus com espiritualidade e amor.
       
Cantaremos “Noite Feliz” para o Menino Deus, sentiremos que a dosagem de felicidade não será mais a mesma dentro de nossas vidas.  Sempre faltarão as vozes, os sorrisos e aqueles abraços dizendo: Feliz Natal!

                   

               Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou
               após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou
               fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)

                                   O (IN)VOLUNTÁRIO EXÍLIO II
   
     


   

   Durante os quatro anos em Vacaria, já adaptado aos costumes gaúchos, fiz grandes amizades e desfrutei momentos prazerosos. Viagens à capital Porto Alegre, onde assisti aos espetáculos teatrais de muito sucesso à época: Opinião e Liberdade, Liberdade, já com Maria Bethânia substituindo Nara Leão. Hospedava-me na casa da família do colega Vitor. Tive a oportunidade de conhecer as praias do Rio Guaíba e as marítimas do litoral gaúcho. Os variados passeios à cidade de Caxias do Sul, onde assisti por duas vezes à Festa da Uva, e à vizinha cidade de Bom Jesus, terra natal de um colega do Banco, cultor das tradições gaúchas e cuja prima frustrou uma ilusão passageira, superada depois por uma vacariense de nome Maria.
  
Cheguei a vislumbrar uma transferência para a Faculdade de Direito de Passo Fundo, porém, a distância impediria uma freqüência regular e me fez desistir.
   Conformado em permanecer no sul, integrei-me à vida social da cidade, freqüentando as festas e os bailes, inclusive os tradicionais do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Porteira do Rio Grande, nome sugerido por Vacaria fazer divisa com Lages-SC e ser a entrada do Rio Grande. Participava do cotidiano do interior, indo a churrascos, caçadas e jogando sinuca. Aprofundei meus conhecimentos do jogo de xadrez e ajudei a fundar na cidade o Clube Henrique Costa Mecking. A festa principal e famosa de Vacaria é o Rodeio Crioulo, realizado de dois em dois anos, intercalando-se com a Festa da Uva em Caxias do Sul. Dura uma semana, com a presença de delegações de várias cidades, estados e alguns participantes estrangeiros. Além da exposição de gados, produtos agrícolas, hortifrutigranjeiros e industriais, havia muita cantoria, acampamentos, churrascos, rodeio, competições de laços e cavalhadas. Gostava de assistir as danças folclóricas com as roupas estilizadas e as lindas e graciosas prendas com seus pares se apresentando no palco.
   A saudade da terra distante, dos meus pais, irmãos e amigos era dolorosa. Somente nas férias, uma vez por ano, vinha à Miracema. Numa delas, tive o infortúnio de presenciar a morte do meu pai. Sua ausência, agora permanente, fez-me sentir mais ainda a distância dos que me eram caros. Até dos morros de Miracema sentia falta, pois Vacaria é um planalto com aproximadamente 1.000m de altitude, onde se vê o horizonte sem fim, quando muito entrecortado pelas ondulações das coxilhas. A modificar esse cenário, somente a travessia da serra para Caxias do Sul. Às vezes, a melancolia me invadia e a tristeza deixava-me deprimido, levando-me a compreender o sofrimento dos perseguidos pela ditadura e forçados a deixar o país. Com o passar do tempo, que tudo ameniza, me acostumei com a distância, porém sempre com o desejo de retornar.(continua)                                                                                                                                                                                   

                                                                                                                   José Geraldo Antonio


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