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Para Um Mundo Melhor
Numa reviravolta de pensamentos detenho-me no valor das pequenas coisas para o entendimento entre os seres e a amenização das violências. Falam alto as incompreensões e os preconceitos que não apenas incomodam, mas também matam. Freqüentemente, maridos matam esposas; jovens assassinam namoradas por motivos irrelevantes, simplesmente por se julgarem donos delas; mulheres e crianças são violentadas e mortas; pais e filhos se destroem numa inabilidade estúpida de se entenderem. Idéias de dominação, desinformação, comodismo e preconceitos imperam em todas as classes, atravessando séculos, atrapalhando a evolução social e moral. Perpetuamos em nossa cultura uma forma de tradição enfocando posse, egoísmo e poder que em nada tem ajudado o mundo e seus problemas. Não defendo idéias feministas, nem penso em ofender aos que ainda valorizam a essa prática dominadora. Trata-se de um comportamento inconsciente, conservador que, como sabemos, é apoiado pela própria sociedade desde remotas eras. Muitos já agem de maneira mai aberta, pois sabem que os novos tempos assim exigem. Mas a opção machista ainda predomina e, quando exacerbada, transforma-se num modo de ser demolidor, contraproducente, emperrador do bom relacionamento, do progresso humano e da paz. Quanto mais destituído de formação e informação é o ser, maior a probabilidade de manifestação possessiva destruidora. Daí, o que pode resultar? Seres alheios, brutos, distraídos, desconfiados, imunes às aberturas, devedores de suas obrigações familiares, sociais e éticas. Será esse o mundo que queremos? Felizmente, esse comportamento tem caído cada vez mais de moda. Nos dias de hoje não dá mais. Clamamos por melhor entendimento entre os seres. Na família precisamos compartilhar as tarefas e os trabalhos da educação dos filhos de maneira compreensiva, prática e sem preconceitos. Na sociedade clama-se o respeito mútuo e que cada um se faça respeitar. Nós, únicos seres pensantes -Homens/Mulheres- carregamos a incumbência de zelar pelo bom andamento do mundo. As mulheres guardam a coragem, a força, a criatividade, a capacidade empreendedora fazendo a vida mais humana e criativa. Ao fugir desses valores, perdem muito no descaminho da competição e da disputa de poder. Os homens têm seus valiosos dons, mas carregam (exceções existem) o complexo da supremacia, da desconfiança, da necessidade de não recusar oportunidades de conquista, o orgulho de não tolerarem o que julgam ser desaforo. Quando podem, são os provedores do lar, sim, mas essa tarefa é hoje largamente dividida com as esposas. Muitos acham que já fazem o bastante e fogem da responsabilidade de compartilhar deveres no lar. Responsabilidade dos dois. Muitos existem hoje que sabem dividir com as esposas o seu cansaço. Dia da Mulher? Todo dia e sempre. E do Homem? Por que não. Os destinos do mundo dependem da ação de ambos num trabalho construtivo, inspirado e inteligente. Lar, escola e sociedade que se unam na valorização do entendimento humano, do respeito mútuo, do trabalho compartilhado para a construção de um mundo melhor. Justiça, trabalho e respeito aos direitos e deveres do cidadão deverão ser sempre lembrados e praticados. Se queremos um mundo melhor precisamos entender das necessidades sociais, ser expectadores do bem viver, das diferenças e capacidades criativas de cada sexo. Em síntese: que entendamos e respeitemos uns aos outros. “Amai-vos uns aos outros” disse Jesus. O humanitarismo amenizará, com certeza, a brutalidade que assola o mundo sem distinguir idade, classe ou cor. Não queremos seres indiferentes às realidades que dão sentido à vida, para que desolados não constatem, mais tarde: “em nosso quintal desabrochavam belas flores, e nem atinei com elas... mamãe preparava biscoitinhos deliciosos, deles nada aprendi... os conselhos recebidos e as oportunidades, poucos valorizei... das solicitações e carinho de meus filhos, pouco curti...” Com a maturidade é que podem surgir as tristes constatações de que a vida passou e não vimos, pouco aprendemos e pouquíssimo desfrutamos de suas belezas e envolvimentos. De nosso eficiente desempenho- Adão e Eva que Deus criou – emanam o exemplo e a força vital que fazem a sociedade mais justa e humana.
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Desejos
Meu coração é um grande folião. Ao ouvir o som de uma batucada, dispara no peito. Sinto meu corpo formigar e vem a vontade De pular... pular... pular... até cansar. Diga o que quiser que carnaval é: festa pagã, Festa de louco, doideira, sabe lá mais o que. Só sei que eu adoro carnaval! Adoro ouvir o som de uma grande batucada. De um sambinha gostoso, de uma marchinha. Mas... eu nunca brinquei carnaval. Sabe por quê? Matei dentro de mim esse desejo ardente. Não pude vestir minha fantasia de Pierrô, de Arlequim, de Cigana Sinto meu corpo vibrar quando escuto um samba. Bandeira Branca... Cabeleira do Zezé... Máscara Negra... Canto com a boca e com o coração. Vem o desejo profano de sair pulando, cantando, Mostrando meu lado festeiro de mulher brasileira Que gosta de dançar, gosta de sol, de areia, de mar. De me fantasiar, sair jogando confete e serpentina pelos salões. De me misturar com o povo. Tudo está sufocado dentro de mim. Esse delírio de festa é surreal, mas contido dentro do peito. Quero fundir o meu grito de guerra. Vestir minha fantasia. Passei minha infância e mocidade sem fazer o que tinha vontade Como me arrependo disso! Devia ter brigado. Deixado de lado as proibições, cara feia, mau humor. Conversa fiada, ignorância, fingimentos... Tudo isso fizeram camuflar dentro de mim esse desejo. Tenho vontade de mandar tudo pro espaço. De ignorar tudo que me fez ficar assim. De mostrar meu lado feminino, bonito, sensual. A minha necessidade visceral de sambar, De me juntar aos outros embalados pela alegria. De extravasar minhas emoções. De mostrar o que está oculto em mim por tanto tempo. De atrair sorrisos, olhares. Não tive oportunidade. Não tive companhia, Não tive apoio. Hoje... não tenho coragem. |