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OS MERCANTE
Era uma manhã de agosto fria e chuvosa. Fui à casa de Salvador Mercante (Tiussa) e começamos a conversar sobre coisas do passado, por ser ele meu vizinho desde 1935. Seu pai morava na Rua Padilha 74 e meu pai, no numero 57. Quando me casei, em 1957, sua mãe Dona Filomena, vinha em minha casa ensinar a Nilcea, minha esposa, a fazer macarrão, rosca e pão italiano. Os Mercante, imigrantes italianos, filhos de “ nostre nonni”, Luigi Mercanti e Assunta Santini Mercanti. Foram eles que deram origem as centenas de descendentes da Família Mercanti no Brasil. Aqui no Brasil a família Mercanti teve origem em Miracema, onde os patriarcas Luiggi e Assunta, com seus filhos migraram do “Poese”, lugarejo chamado Sam Giovani Delle Conte que fica na “Cumune” município de Grosseto na região da Toscana, na Itália. Chegaram ao Brasil pelo porto de Santos em um navio no ano de 1896. Eram seis irmãos: Alfredo, Leone, Amadeu, Telésforo, Camilo e Filicia. Alfredo ao chegar a Miracema foi trabalhar como lavrador na Fazenda dos Bastos no Belo Monte, casou com Filomena Calcagni depois de alguns anos. Em 1919 resolveu mudar para a Argentina levando os filhos: Silvestre , José (Noqueta) , Antônio que depois, passaram a chamá-lo de Argentino e João (Totita) voltando em 1920. Chegando aqui, em 1921, nasceram: Miguel e Salvador, gêmeos, e depois Alfredo (Neném). Argentino passou a vida como um gozador, brincalhão espirituoso. Um dia em uma mesa de pif-paf, ele dizia: Muitos fazendeiros deixaram propriedades e dinheiro para os filhos e eles perderam tudo. Meu pai, a maior herança que me deixou foi a vergonha. Marisa ouvindo do outro lado da mesa, disse: é, e você, já a perdeu há muito tempo. Alfredo depois de muito trabalhar na lavoura, juntou dinheiro e emprestou 25 mil contos de reis a um vizinho que lhe deu um calote. Trabalhou mais uns anos e comprou a Fazenda Panorama em 1923 e dona Filomena, como era analfabeta, (somente os homens estudavam) fez com que Alfredo comprasse uma casa em Miracema para que os filhos pudessem estudar e foi assim que em 1925 comprou uma casa velha do Sr. José da Silva Bastos na Rua Padilha, 74, construindo outra em seu lugar em 1935, onde mais tarde, seus filhos Noqueta, Tiussa e Argentino, montaram uma Alfaiataria com diversos funcionários até 1939. Em 1939 foram para o Rio e lá montaram uma alfaiataria na Rua do Ouvidor, voltando em 1941, deixando o oficio de lado e passaram para o comércio em 1946, com Loja de Ferragens na Rua Marerchal Floriano com o nome de Fábrica de Ladrilhos, casa esta que ao lado funciona o INPS. Em 1950 compraram a Cerâmica que na época vendia manilhas de barro para diversos estados. Com a vinda de piso de cerâmica e cano plástico a Cerâmica Miracema, foi desativada, partindo para o loteamento no Bairro Demétrio que hoje tem muitos moradores. Noqueta, Salvador e Neném eram jogadores no time do Tupã e Totita em outro Time. Totita morreu aos 28 anos. Quando foi convocado para a guerra seu pai foi ate a estação, colocou 400 reis em sua mão e disse: Faça economia, meu filho. Silvestre casou com Adelinda, Noqueta com Lídia, Argentino com Marisa, Salvador com Rutte, Miguel com Idalina, Neném com Marília. Telésforo casou com uma irmã de Filomena chamada Luzia e tiveram 13 filhos: Humberto (Noca), Ernesto (Santo), Walace, Getulio, Joel (Wandinho), Télio (Ferrugem) e Luiz (que morreu em 1932), e outro Luiz, Maria, Ana, Luzia, Laurides, Nair. Telésforo possuía uma linha de limouzine até Areal e Humberto uma linha de ônibus até laranjal. Os ônibus daquela época eram revestidos de madeira e papelão. Os filhos de Telésforo: Humberto casou com Colli, Walace com Marlene, Getulio com Gilda, Wandinho com Zileia, Télio com Elza Helena, Maria com Abreu, Ana com M. Campo, Luzia com Aquilino Cava, Laurides com Fellows, Nair com Betinho. Camilo era o caçula, seus filhos: Orlando (Landico) que é ex pracinha, Julio, Rosário, Ana, Áurea, Adelinda, Letícia e Helena. Leone foi para Cambuci. Conheci seu filho Benedito e o neto, professor em Miracema, Orlando já falecido. Não tenho mais informação dos mesmos. Amadeu morava na Rua do Sapo. Era viúvo e residia com sua irmã Felicia, uma solteirona. Os filhos de Camilo: Landico, casado com Otalina, Julio com Zenaide, Adelin com Álvaro, Ana, com José Grossi, Ruth, com Henrique, Áurea, com Geraldo, Helena com José Berardi e Rosário com Irene. De Miracema, os filhos desses imigrantes foram crescendo formando as famílias que hoje já devem estar na quinta geração. Entre eles, homens e mulheres de profissões diversas: farmacêuticos, médicos, engenheiros, bioquímicos, jornalistas, professores e fazendeiros que prestam e prestaram serviços à nossa comunidade. Não tive a intenção de fazer a genealogia completa dos Mercantes apenas citar dados do meu conhecimento.
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“A Paz é fruto da Justiça”
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!” (MT 5,6)
A proposta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na Campanha da Fraternidade deste ano, ao chamar a atenção para os caminhos e descaminhos da violência, nos provoca a um olhar atento e comprometido com o cotidiano e, em especial, com a população infanto-juvenil. Com o tema “Fraternidade e Segurança Pública” e o lema “A paz é fruto da justiça”, a temática põe em destaque a reflexão em torno de um quadro de agressões cotidianas no campo social, político, econômico e cultural, que impedem a concretização de uma sociedade inclusiva e cidadã. Ser pobre não significa ser violento, mas a negação das condições dignas de sobrevivência, em si, contribui para o estado de violência. Dados do relatório da Situação Mundial da Infância – 2008, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), apontam para a existência de cerca de 60 milhões de crianças e adolescentes no Brasil, que correspondem a, aproximadamente, um terço da população. Destes, muitos vivendo em situação social crítica e acometidos por todos os tipos de violência. Nesse sentido, a afirmação popular de que crianças e adolescentes têm uma vida pela frente, muitas vezes, não se confirma com a prática. A realidade tem mostrado que elas são vítimas da violência em suas múltiplas faces. Nossa infância convive com um conjunto de vulnerabilidades, como abandono, agressões, maus tratos, trabalho infantil, exploração sexual, negação do direito à educação, pedofilia na internet, drogas e criminalidade. O objetivo geral da Campanha da Fraternidade é para nós um indicativo para o caminho ao longo de todo o ano. “Suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos. A paz buscada é a paz positiva, orientada por valores humanos como solidariedade, a fraternidade, o respeito ao outro e a mediação pacífica dos conflitos, e não a paz negativa, orientada pelo uso da força das armas, a intolerância com os diferentes e tendo como foco os bens materiais”. (Objetivo Geral da CF 2009) Fecundados na Palavra de Deus, é o momento de exercitar, como cristãos, a prática coerente numa dimensão cidadã, o caminho construtor da verdadeira paz. O exercício do perdão, o desejo da paz, a experiência da presença amorosa de Deus, a fé e principalmente a esperança são sinais que devemos fazer brotar em nossos corações. Continua no próximo número.
(Jornal de Opinião 02 a 08/03/09; Texto Base: CF 2009)
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SOZINHA
Amarrada nos conflitos familiares, buscou a sala do apartamento como um isolamento e de olhos na telinha desejou que a noite viesse com o sono pesado e sem sonhos. Precisava perder os medos infantis, enfrentar os conflitos como mulher adulta, mas estava paralisada, no sono teria um tempo de silêncio e ao acordar encontraria coragem necessária para agir. Na manhã seguinte, alinhou suas razões no lado de fora do seu coração, enquanto acalentava suas emoções com desejos de aceitação para que não viessem interferir desajeitadamente no momento do encontro. Não queria fritar as etapas. Precisava da paciência para cozinhar sua ansiedade, o que lhe daria a oportunidade de descobrir que tudo poderia ser relativo se ao aceitar a diferença viria à tona a solução amigável. Na hora do almoço, o comentário do pai, deu-lhe o motivo para telefonar. Era o momento propício para iniciar a volta ao convívio fraterno.
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