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Tema: Tempo

Às vezes rimos chorando,
Outras choramos rindo.
No tempo vou procurando,
Viver o que eu estou sentindo.

Tema: Presença.

Se vives sempre distante,
Não serve nunca primeiro.
A presença é importante,
Vale mais do o dinheiro. 

Tema: Espelho.

Eu quisera ser imagem,
Do que é ser felicidade.
Minha vida é só miragem,
Sou espelho da saudade.

Tema: Tristeza

Não vejo em nada beleza,
Por que sou tão triste assim?
Sementes da flor tristeza,
Germinaram em meu jardim.

Tema: Máscaras.

Máscaras! É Carnaval,
Dos seus formatos abusam.
Mas eu sei que o pior mal
É os que o ano inteiro as usam.




 

"Bandeira branca amor / não posso mais / pela saudade que me invade / eu peço Paz".

O artista sempre passa para o público uma vida de felicidade e alegria. Encanta a todos com suas apresentações, sua voz. Com Dalva de Oliveira aconteceu o mesmo, pois ninguém pode imaginar o que vai à sua alma Para nós são sempre felizes, no entanto, somos todos iguais, cada um tem seu íntimo e na maioria das vezes não deixa transparecer. É o ciclo da vida.
A lembrança tomou conta de mim ao assistir a minissérie sobre a sua vida, principalmente quando ela cantou "Bandeira Branca", fechei os olhos e deixei minha alma dançar, rir, brincar. Parecia estar naquele grande ginásio de esporte do Clube XV de Novembro, vivendo horas momescas de alegria, juntamente com Lauro, amigos e as famílias se confraternizando entre confetes e serpentinas. Era muito bom, quando de mãos dadas fazíamos círculos, rodopiando pelo salão sem pensar no logo ou no amanhã.
A alegria contagiava a todos quando tocava "Máscara Negra": "Quanto riso / Oh! Quanta alegria..." Esquecíamos que o "Arlequim estava chorando pelo amor da "Colombina" e nos misturávamos entre "mil palhaços no salão", para esquecer os dissabores do dia a dia e então cantávamos mais alto: "Tristeza, por favor, vai embora / minha alma te implora..."
Assim era o carnaval. Era? Não, continua, porém com outro tipo de música que no decorrer dos dias vai deixando a "Estrela Dalva" sem graça para despontar, pois a "lua anda tonta" com tantos ritmos diferentes.
Há cinco anos, eu tenho o privilégio de ouvir a música do Bloco Unidos da Jove, porque André Oliveira, amigo nosso, traz para eu ver. Não conheço o compositor, Manoel Batista C. Neto e me emociono ao ler suas composições. Fico a imaginar como Deus beneficia as pessoas, ou melhor, dá talentos. Foi a partir daí, que durante minha presidência na Academia Miracemense de Letras, juntamente com os confrades da mesma, promovemos dois concursos de poesia - "Valores Poéticos de nossa Comunidade", para que essas pessoas pudessem mostrar sua alma ao participarem. Fico encantada com a capacidade criativa deles, com a inteligência em pesquisar, no lirismo da poesia, na história que eles, compositores, passam para os outros lhes dando uma aula de cultura, através de um simples samba alegrando toda a Marechal Floriano – Rua Direita.
Este ano, o Bloco Unidos da Jove, trouxe para nossa cidade a literatura de Monteiro Lobato com suas histórias infantis. Como diz a letra do samba: "A JOVE luta, prova, incentiva / Que mantém a alma viva / É a velha arte do saber", fazendo desse jeito o povo conhecer os contos do grande escritor. O Bloco mostrou assim que não só a televisão e os livros passam a história, mas que tudo pode ser vivido por gente simples, descobrindo o mundo de ilusões e fantasias criado por Lobato.
A JOVE mostrou na rua a arte do conhecimento, oferecendo saber às crianças e adultos que ali participavam.
Não conheço Manoel Batista, mas acredito que pesquisou e criou com tanta alma, que mostrou à nossa cidade que ela tem mais um poeta. Deus o abençoe por este dom.
Miracema é rica em pessoas com criatividade, iniciativa e alegria. No último dia cinco de fevereiro, as babás responsáveis pelas crianças que frequentam o parque da Praça D. Ermelinda, organizaram um bloco carnavalesco. Na ensolarada manhã daquele dia, arranjaram uma batucada e saíram com as crianças fantasiadas pelas ruas da cidade, acompanhadas também de pais e avós. Eram bailarinas, pirata, gatinhas, borboletas, havaianas, palhaços, leões, que na maior inocência trocavam passos como os grandes sambistas. O bonito de tudo isso foi ver o entrosamento e a responsabilidade dessas pessoas, que ousaram marcar o primeiro dia carnavalesco em nossa querida Miracema. Parabéns a todas!
Durante o tempo em que as crianças dançavam no jardim, jogando confete e serpentina, meus olhos por várias vezes
vislumbraram os bailes infantis. Veio a minha mente o fato acontecido num desses durante um concurso que o Aero Clube fazia.
A odalisca adentrou ao salão, de calça rosa de organza, túnica branca de cetim trabalhada em arabescos verdes e pisando bem de leve, sambando com sapatilhas de cetim bordadas de "lantejoulas". Levava na cabeça um lenço de organza rosa presa a um lado com um "cabochon", que passava pelo rosto, cobrindo-o. Com uma sacola de filó (tule), contendo confete, ela ia dançando no meio da garotada até chegar o intervalo, momento do qual foi anunciado que logo em seguida, se daria o concurso. As crianças já tinham sido selecionadas para apresentação. Começaram chamar para o desfile. Eram: marinheiro, árabe, boneca, pirata, odalisca, baiana e outros. Foram votadas apenas três: boneca, odalisca e baiana. A boneca chorou tanto que foi levada embora pelos pais, restaram as duas últimas muito aplaudidas. Uma delas tinha que ser a vencedora, então foi dado o primeiro lugar: a baiana. Foi surpresa para a platéia, pois pela originalidade da odalisca, ela seria a vencedora. Porém a baiana era filha do dono de duas torrefações de café (eram os ricos da época) e a odalisca tinha como pai, um proprietário de gráfica. Fazer o quê?
Coisas de pessoas preconceituosas? Voltei meu pensamento para o que se passava ali na praça e vi a mudança que está acontecendo no mundo. O entrosamento, a igualdade é o que a humanidade tem feito o possível para tornar realidade e milhares de pessoas saírem do "Bloco da Solidão", para poderem cantar: "Por isso quando eu passar batam palmas pra mim".

Parabéns meu amigo.
Você, Joffre, diamante de noventa anos, lapidado por duas raças fortes: italiana e libanesa –
seus pais, que o transformou em brilhante.
Brilhante Miracemense, duro e resistente em suas batalhas pela vida.
Brilhante Miracemense, que fascina a todos com o dom da palavra.
Brilhante Miracemense, sempre iluminado, eterno patrimônio da história de nossa terra.


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