Pág.7-Nº133-Dez/10

                  

                      O Carpinteiro

   

      

   

   Li,  não sei onde nem quando,  que certa vez  há muitos anos,  dois irmãos que
moravam no distrito de  Vendas das Flores,  proprietários de sítios vizinhos,   separados
apenas por um riacho  entraram em conflito . Foi a primeira grande  desavença em
toda uma vida trabalhando lado a lado,   agora  tudo havia mudado.  O que começara
com um pequeno mal entendido finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas 
seguidas por semanas de total silêncio.
     Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem em sua porta. Ao abri–la, notou
um homem com uma caixa de ferramentas de carpinteiro em sua mão.
Estou procurando por trabalho talvez você tenha algum serviço para  mim .
Sim,  disse o  sitiante .  Claro! Veja aquele sitio além do  riacho,  é do meu vizinho.
Na realidade é do  meu irmão mais novo.  Brigamos muito e não mais posso suportá-
lo. Olhe aquela pilha de madeira perto do celeiro. Quero que você construa uma cerca
bem alta .
    Acho que entendo a situação, disse o carpinteiro. Mostre-me onde estão a pá e os
pregos.  O irmão mais velho lhe entregou o material e foi para a  cidade .
     O homem ficou ali trabalhando, cortando, pregando o dia inteiro. Já anoitecendo,
o sitiante chegou  e não acreditou no que via.  Não havia qualquer cerca. Em seu lugar,
estava uma ponte que ligava um lado do riacho ao outro.
    Era realmente um belo trabalho. Mas, enfurecido, exclamou: Você é muito inso-
lente em construir esta  ponte, após tudo o que lhe contei . No  entanto,  as surpresas não
haviam terminado.  Ao erguer seus olhos para a ponte  mais uma  vez,  viu seu irmão
aproximando  da outra margem  de braços  abertos .   Cada um dos irmãos permaneceu 
imóvel do seu lado. Então, o  mais novo falou: Você foi realmente muito amigo  cons-
truindo essa ponte,  mesmo depois do que eu lhe disse.  E, num só impulso, correram
um na direção do outro abraçando- se  e chorando no meio da ponte.    Emocionados,
viram o carpinteiro arrumando suas ferramentas e partindo. Espere!   Fique  conosco!
Temos  muitos outros projetos para você .
  E o carpinteiro  respondeu: Eu   adoraria ficar,  mas tenho muitas outras pontes
para construir ...
    Já pensou como as coisas seriam mais  fáceis se parássemos de construir cercas
e muros e passássemos  a construir pontes  com os nossos familiares, amigos, colegas
de trabalho e principalmente nossos inimigos?
   O que você está esperando?  Que tal começar agora?
   FELIZ   NATAL! E  um próspero ano novo é o que  desejo a todos .
 



 

 

   
      

                            

Pausas Necessárias

 

     Quem não anseia após o corre-corre dos dias, de um belo descanso? De um fi nal de sema-
na no campo, de um mergulho na praia ou umas férias prolongadas?
      Para a maioria das pessoas, custa esse dia chegar. Algo parecido acontece na nossa vida
espiritual.
      O próprio Jesus nos dá o exemplo no evangelho, ao se afastar das multidões e se retirar
ao monte ou ao deserto para orar.
      É  importante saber fazer “pausas” para se refazer e se encontrar com o Senhor. Durante
as pausas, podemos olhar com fé para o Senhor, que nos acompanha. Um olhar assim pode
até fazer a gente mudar de atitude numa discussão acalorada. Os outros percebem, mas não
conhecem a causa.
      Nesse tempo de preparação para o Natal pode ser um bom momento para esse silen-
ciamento. A oração do silêncio. Ensina-nos a “Ofi cina de Oração”. É um tipo de oração
pouco falada, menos ainda praticada. Nem sempre estamos em condições de retirar-nos
“no deserto”. Nossa vida, geralmente, é agitada, cheia de afazeres. Mas podemos encontrar
momentos de estarmos a sós com Deus e abrir-nos à sua ação. De repente, nos sobrevêm
momentos nos quais experimentamos a presença de Deus, que nos pede que fi quemos em
silêncio, sem dizer nada.
      Conta-se que Santa Teresinha, quando começava a rezar o Pai-Nosso, fi cava tão tocada
pela palavra PAI, que não conseguia mais continuar sua oração, absorvida pela realidade
dessa palavra.
      Muitas vezes, quando as pessoas rezam e meditam, sentem-se atraídas a fi car em
silêncio, sem expressar palavra alguma e fi car simplesmente na presença de Deus. Quando
isso nos acontece, deixemo-nos fi car sossegados, sabendo que Deus está presente. Olhar e
sentir-se olhado; amar e sentir-se amado.
      Conta-se que Santo Cura d´Ars encontrava na sua paróquia, todos os dias, um homem
simples olhando para o sacrário. Certo dia, o santo lhe perguntou: “Como fi ca aqui tanto
tempo sem fazer nada?” O homem respondeu: “Eu olho para ele, e ele olha para mim”
.                                                                                            (Adaptação)
                                                     Que os suaves cânticos de Natal
                                                  Tragam para você  
                                                                 O silenciamento,
                                                          O despertar, a Boa-Nova
                                                          Do nascimento de Jesus!
 
                                                                FELIZ NATAL!!!
                                                       Regina Célia Titonelli Nunes
                                         Comunicador Popular da Pastoral da Criança
 



 

  Casa Branca 

   Falar do sol escolhendo uma das palavras inspirada a mim por ele, foi o desafio.
E na mesma hora escolhi a que mais me incomoda: o reverbero.
Ele bate nos meus olhos quando viajo no  início da manhã ou pouco antes do final
da tarde, batendo no para-brisa   dos  carros  e  dificultando  o  ato  de dirigir. Ele
também bate nos meus olhos quando deixo a academia de dança às  cinco  ho-
ras das tardes de verão e busco descobrir ao longe, no contra fluxo, um táxi que se
 aproxime vazio.
Mas gosto de perder meu olhar na reverberação dele nas águas marítimas quando
estou passeando à beira mar.

 


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