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ABRIL DE 2009 ANO VIII Nº-113 - MIRACEMA-RJ- |
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Vizinhos, gente simples e outros
Vivo na Rua Paulino Padilha há 77 anos. Sou um dos moradores mais antigos. Convivi sempre com pessoas simples e humildes e tive vários vizinhos que já foram para o Oriente Eterno. O homem por melhor que seja não pode viver em paz se não for agradável ao seu vizinho. Em outras crônicas falarei sobre os outros que fizeram parte de minha vida. Quando criança, perguntei ao padre como ir para o céu e como poderia ser protegido de todos os males do mundo? Ele me respondeu que Deus falou aos seus filhos: Eu vos envio como ovelhas para o meio dos lobos, sede então simples e prudentes para sempre. Do lado esquerdo, na esquina, morou um negociante que tinha um bar. Era chamado de Gato Preto. Depois veio: Sebastião Gonçalves, Antônio Espanhol, Custódio Cruz, Nelson Peruci, Roni e atualmente Betinho do açougue. Gato Preto era viúvo, tinha um filho e com ele morava a sogra: uma velha rabugenta que reclamava de tudo. O quintal dele dava para a minha casa, como o muro era baixo, nós o atravessávamos para brincar. A velha, sempre implicando. Um dia, seu neto resolveu pregar-lhe uma peça: pegou um vidro grande de sal de fruta que ela usava e despejou todo dentro do penico que ficava debaixo da cama da velha. Na madrugada, ela usou o penico. Aquilo começou a ferver e transbordar. Foi um alvoroço à noite toda. Outro vizinho era proprietário de uma padaria. Além do pão, vendia outras mercadorias como mel de abelha. Certa ocasião apareceu em sua padaria um freguês para comprar mel de abelha, mas disse que precisava de muitos litros. Como só tinha cinco, ele pagou e levou dizendo que precisava de cinquenta litros. Se ele pudesse arranjar, voltaria no mês seguinte para comprar. Três dias se passaram e chegou um vendedor que era comparsa do outro oferecendo mel. Imediatamente, foram comprados cinquenta litros pelo meu vizinho, pensando que estava fazendo um bom negócio. O comprador nunca apareceu, ficando o mesmo encalhado com tanto mel. Segunda-feira o meu barbeiro não trabalha, diz que tira os sapatos, veste uma bermuda, dispensa o relógio. O barbeiro é uma figura que entende de tudo: religião, política, futebol e até receita alguma coisa e com o passar do tempo passa ser seu amigo íntimo. O alfaiate de minha mocidade era Pepito. Fazia o terno de acordo com o tamanho do pano do freguês. Tomava pensão grátis na casa de meu pai. Outro alfaiate mais moderno é o Clecy. Diz que o freguês mais difícil que ele achou foi o Sr. Amim. Fazer terno para o Sr.Amim é o mesmo que lonar um circo. Um sitiante tinha uma charrete que havia perdido um parafuso da roda. Procurou Waldeir para consertar. Como estava com muito serviço, mandou que ele voltasse outro dia, mas o sitiante não arredou o pé. Queria que fizesse o serviço na mesma hora. Como estava muito atarefado e o homem enchendo o saco, Waldeir pegou o maçarico com estava soldando, desligou o fio terra e riscou a ponta do maçarico em brasa perto do rabo do animal que saiu em disparada. Eu acho que está correndo até hoje. Waldeir tinha uma plantação de pitanga. Um amigo ao visitá-lo recebeu de presente várias frutas dentro de uma sacola. Passados alguns dias, ao se encontrarem no bar Kiskina, o amigo do outro lado do balcão, fechando o dedo indicador até encostar-se no polegar perguntou ao Waldeir: - Como é que se chama mesmo aquela frutinha vermelha que você me deu lá em sua casa ? Waldeir respondeu rapidamente – Você está ficando doido, eu não te dei nada lá em casa. Eu tenho um amigo que devido à sua calma, nós o chamamos de Marcha Lenta. Há poucos dias, estávamos comendo um tira gosto, mas faltava a cerveja. Cada um deu uma importância para pagar a compra e pediram Marcha Lenta para buscar. Horas e horas se passaram e nada dele voltar. Isso já é demais, disse um dos presentes. Ele é um irresponsável, disse o outro. De repente abre a porta e surge o Marcha Lenta: - Se vocês continuarem me esculhambando, eu não vou buscar nada!
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Políticas Públicas e a CF/2009
Em continuidade à matéria do último número, referenciando o Relatório sobre Violência nas Cidades da Organização das Nações Unidas (ONU), afirma que a violência no Brasil é jovem. Os dados do Mapa da Violência, entre 1996 e 2006, apontam o aumento dos índices que acometem a população de 15 a 24 anos. Os homicídios juvenis subiram de 13.186 para 17.312 e ainda um número crescente de crianças envolvidas no mundo da marginalidade, "crianças de 6 anos já fazem parte de quadrilhas do crime organizado com a função de carregar drogas", declara o documento. Os dados preocupam. Eles trazem à tona a urgência de políticas preventivas com crianças e adolescentes. O oficial de projetos para adolescentes do UNICEF, Mário Volpi, afirma que, "infelizmente, a presença de crianças e adolescentes em conflitos armados, no tráfico, na prática de atos infracionais, vai-se tornando banal e adquire ares de normalidade". Ele fala da necessidade e urgência de atitudes: "É preciso que o Estado, a família e a sociedade se escandalizem, fiquem indignados e promovam políticas e ações que permitam às crianças e aos adolescentes se desenvolverem num ambiente de respeito aos seus direitos e à sua dignidade humana". A pobreza, o desemprego, a desigualdade social e a explosão demográfica das cidades favorecem a cultura da violência e são apontados como agravantes nesse relatório. Os dados conjunturais do documento sinalizam uma radiografia preocupante, pois se refletem diretamente nas formatações das políticas públicas. Os conselhos de políticas públicas, a sociedade civil e as gestões municipais, estaduais e federais devem considerar estes fatores causadores e suas diversas soluções. Estas exigem ações amplas e com visões interconectadas. A CF/2009 sinaliza o caminho da construção da cultura da paz e da cidadania alicerçada em Isaías, na afirmação de "a paz é fruto da justiça" (Is 32,17). O texto-base da CF/2009 fala da necessidade dos espaços de controle social e da elaboração política: "A segurança é uma questão sociopolítica que envolve a todos. Nenhum elemento da sociedade organizada deve ser excluído do processo ou eximir-se de sua responsabilidade". Ainda, de acordo com o texto, "todos devem colaborar na criação e na construção da ordem justa, sem a qual a paz é ilusória e não há segurança". O Papa João Paulo II afirmou: "A paz precisa de um amor apaixonado que nasça da conversão coração".
(Jornal de Opinião. 02 a 08/03/09)
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SONHAR
Deixar o silêncio se apossar de você. Deixar o corpo encontrar seu repouso. Deixar a mente se libertar. Aí então, as imagens da quimera chegarão. Elas virão de mansinho. Ainda dúbias, pois os ruídos da rua podem interferir. Elas se desenharão em sua mente, a princípio nebulosas. Não interfira. Deixe que elas se desenvolvam. Mantenha-se relaxada. Aos poucos, elas estabelecerão conexão. Aos poucos, elas se desdobrarão em sonhos. Aos poucos, elas trarão as magias de momentos sonhados e não realizados. Deixe-se ficar. Aproveite a oportunidade oferecida. Sonhar não faz mal, mas não se esqueça de calçar os sapatos da realidade quando voltar ao seu dia-a-dia aliviada pelos momentos de sonhos. |
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