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Tema: Tempo.
Se contarmos nosso tempo, Existem mais nostalgias. Ele passa como o vento, Empurrando as alegrias.
Tema: Natal.
Que bom celebrar um dia Como crianças, bem puros. Natal com muita alegria, Sem divisões e sem muros.
Tema: Natal.
Nasce hoje o Deus Menino, Natal recorda Belém. Dentro de um ser pequenino, O nosso mundo contém.
Tema: Praça. Envolveram o verde véu, De luz cobriram minha Praça. Foi transformada num céu, Meu olhar a arte abraça. |
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Um convite chegou às minhas mãos, e me fez em meado de setembro relembrar mais um capitulo passado da minha vida. Fui ao Rio assistir ao casamento de Natália, neta da minha grande e inesquecível amiga Aparecida Souto. Além da amizade, ela deixou suas filhas como se fossem um pouco minhas também: Maria das Graças e Bernadete. Quando Natália adentrou a Igreja, senti que Aparecida estava presente com sua bênção e o sorriso feliz. Isso aconteceu na Capela da Ordem Terceira de São Francisco. Ela fica anexa à direta do Convento Santo Antonio, localizado no morro do mesmo nome no Largo da Carioca, datado do século XVII. Ao subir pelo elevador, comecei a me emocionar até chegar ao pátio de entrada, me fazendo voltar no tempo a muitos anos. Foi ali realizada a missa da minha formatura. Quando lá entrei, pareceu-me ver meus pais sentados naquelas cadeiras de mil seiscentos e vinte anos, época do início de sua construção. A capela é toda trabalhada em folhas de ouro, uma verdadeira riqueza em detalhes com requintes de nobreza. Uma enorme escadaria faz parte desse conjunto arquitetônico maravilhoso e ao lado, um pequeno Museu das peças que a acompanham durante todos esses anos. No dia da formatura, aproveitei pouco desse tesouro, não só pelo entusiasmo de estar concluindo à Universidade, como também, pela euforia da despedida dos colegas numa convivência de tantos anos. Naquela noite do casamento, tudo ficou nítido. Pude enxergar um a um todos os detalhes. Cada vez que a admirava via mais esculturas, mais minúcias que enchiam meus olhos. No altar principal, lá estava São Francisco ajoelhado piedosamente diante de um imenso crucifixo e mais à direta, a monumental beleza de Nossa Senhora da Conceição, chamando a atenção pela sua doçura. Com anjos a seus pés, a paz se podia sentir naquela imagem iluminada pelas luzes dos candelabros. A Capela é pequena, dá apenas para cem pessoas sentadas. Os assentos são cadeiras com braços e somente três em cada fileira, num lindíssimo trabalho de carpintaria de mil seiscentos e vinte anos, por portugueses. Terminada a cerimônia, deixei o elevador de lado e optei pela escadaria. Ao descer, visualizei na saudade meus professores e o Diretor da UFF à espera dos alunos para o momento das fotos. Tudo isso aconteceu no final da década de cinquenta. A moda naquela época era vestido roda de carro assim chamado pela amplidão da saia, o decote para os ombros tipo blusa Gilda (do filme do mesmo nome com a artista Rita Hayworth). Para completar o visual, usavam-se luvas e chapéu nos eventos, formaturas, casamentos, teatro, etc. Como hoje, os jovens dizem: “Era um barato” toda aquela elegância. As missas costumeiramente eram pela manhã e a Colação de grau à noite no Teatro Municipal. Naquela manhã, o sol acompanhado de intensa ventania fazia com que segurássemos os chapéus para não caírem, mas era tudo alegria e em tom de brincadeira. Parecia que o vento cantava “aleluia” para a turma que iria começar vida nova. À noite, a entrega do Diploma acontecia no teatro Municipal de Niterói, e daí pra frente os Doutores Farmacêuticos teriam que usar seus conhecimentos, honrando o juramento. Minhas lembranças me fazem muito feliz, porque quando vêm à tona, valorizo o que sempre acontece comigo. Quando escrevo essas recordações, não as considero como saudosismo, mas, sim lembranças que fazem parte da minha história. Nesse período, morei em Niterói no Gragoatá, com a família de Homero Cardoso, Alice Nacif e filhos, gente que faz parte da minha saudade. Próximo à rua em que morávamos, dando frente para o mar, ficava a Igreja de São Domingos Gusmão pequena e aconchegante, datada do ano de 1652 de sua construção. Ela recebeu várias vezes a visita de Dom João com a família Real quando visitavam Niterói. Aos domingos, frequentávamos as missas. Havia somente um horário: nove horas da manhã, rezada e cantada em latim. Tinha um coral formado por pessoas do bairro e entre os cantantes, a voz de Athanéa Cardoso se destacava doce e fervorosa. Em brincadeira, perguntávamos a ela, se entraria cantando quando fosse se casar com Acrysio H. de Mendonça Júnior. Maravilhoso tempo, inesquecível na amizade e na saudade. Após a missa, sentávamos na Praça ao lado da Igreja e ali combinávamos num bate papo amigo o programa para a tarde: uma sessão de cinema no Cine Icaraí ou ir ao Maracanã assistir ao futebol, isso se fosse o Flamengo jogar. Todos da casa, incluindo os namorados, eram flamenguistas. Tempo que ficou retido na minha alma. Outro dia, fui caminhando até à Capela Nossa Senhora de Fátima, apreciando a rua tranquila e o silencio, até chegar à pequena “grande” casa de Deus onde se vivencia respeito. Orei e me sentei para melhor sentir aquele lugar que inspira tamanha religiosidade e fé. Ali fiquei a recordar quando meus netos se preparavam para fazer a Primeira Comunhão. Aos domingos iam à missa das nove horas e logo após era o catecismo. Eles aprenderam muito sobre os ensinamentos da Igreja, a Palavra de Deus, assim como se aprimoravam na educação e o respeito para com o próximo. Fui sentindo a paz aumentar cada vez mais quando olhava a Virgem Santíssima lá no alto do altar, emanando com sua beleza toda tranquilidade, dando a sensação de que os anjos desciam ali e me amparavam. Quantas vezes voltei lá, não sei. Apenas gravo na mente todo o tempo que permaneci naquele recanto de fé e escrevo no caderno da minha vida mais um capítulo. Esta crônica a denomino de TRÊS TEMPLOS, pois eles fazem parte de mim. - A Capela da Ordem de São Francisco no Rio de Janeiro, mostrou-me a “riqueza” não só material, mas, me indicou a responsabilidade na minha profissão. - A Igreja de São Domingos Gusmão, em Niterói, deixou em mim a alegria e o bem viver de uma família amiga e uma juventude sadia. - A Capela Nossa Senhora de Fátima, me da paz e ensina-me a viver na fé. Com estas Lembranças eternas, deixo a cada um de vocês um voto de Feliz Natal e Próspero Ano Novo. Obrigada leitor, por mais este ano que me prestigiou no Jornal Liberdade de Expressão.
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