Pág.3-Nº114-Mai/09
                                                                                                  MAIO DE 2009
        
                                          
                                                     ANO VIII Nº-114 - MIRACEMA-RJ-                                                                                                                                    
                                   
                              


 

                                    Uma Mulher Admirável.



  Ela nasceu na fazenda Arapongas, distrito de Miracema, em 31/10/1917. De família humilde, desde cedo se dedicou à cultura. Nasceu muito pobre e conseguiu estudar com dificuldade.
  Completou o primário no Grupo Escolar Dr. Ferreira da Luz. Fez seu curso normal no Colégio de Miracema com bolsa de estudo fornecida pela sua diretoria que nela reconheceu pendor invulgar pelas artes e poesia.
  Formou-se professora no ano de 1936. Com roupas, livros e sapatos doados por um tio foi trabalhar na zona rural de Itaperuna num local chamado Valão da Areia, morando em pensão modesta. Desde a juventude versejava de maneira inteligente e espontânea. Seu primeiro ordenado foi entregue à sua querida mãe, a quem dedicava imenso amor.
  No início de 1938 levou sua turma de estudantes a um piquenique em Raposo e por feliz coincidência um jovem médico lá estava atendendo um doente. Conheceram-se na fonte de água mineral. Logo que a viu, ele comentou com um amigo – "vou me casar com aquela moça". Era uma bela moça que nele despertou intensa atração. Ela notou e sentiu desabrochar em sua alma sentimentos que hibernavam em um coração sensível e emocionado pela presença dele. Ali conheceu o amor numa torrente avassaladora de paixão e ternura. Uma semana após ele veio conhecer sua família em Miracema. Dentro de poucos meses estavam casados.
  Foi uma pessoa singular, de bem com a vida, alegre e comunicativa que objetivou o saber e viveu para a família, o amor e o ensino. Foi uma centelha de luz, uma figura humana que a todos contagiava pela simpatia que irradiava, pelo carinho que a todos dedicava, transmitindo calor fraternal e segurança. Distribuiu com dedicação tudo aquilo que aprendeu com tanto sacrifício, culminando com a inauguração de um Ginásio de inesquecível lembrança que tantos benefícios trouxe para os filhos de sua terra adotiva. Rígida e exigente implantou disciplina e respeito entre seus alunos.
  Era suave como uma rosa que desabrocha na primavera. Dentre as flores dos jardins de sua família era a mais bela, a que logo se destacava no meio de tantas outras. Foi uma pessoa que guardou no peito durante toda vida o frescor da juventude e a sublimidade do amor em sonhos de menina com a pureza de uma criança. Nas suas poesias conseguia exprimir um profundo sentimento apaixonado de filha amorosa, esposa fiel e mãe dedicada, onde o amor se destacava em cada estrofe de seus poemas. Foi uma pessoa digna nas ações e nos gestos, com caráter firme e decidido. A justiça de seus atos e seus exemplos serão transmitidos através de gerações como uma perpétua lembrança do que foi sua vida. Esposa singular, mãe amantíssima, deixou saudade imorredoura e continua orientando e moderando as decisões dos que aqui ficaram.
  No dia de finados de 1997, nove anos após sua partida, num momento de extrema saudade e intensa emoção, na beira de seu túmulo eu chorava em silêncio quando uma voz segredou-me aos ouvidos:
  “Não chora! Estamos ao teu lado! Não houve separação! Ficamos apenas transparentes.
  Olha para céu todas as noites, e numa claridade
  Verás sempre juntas pulsando lentamente,
  Duas pequenas estrelas que brilharão por toda eternidade...
  Não fica triste, levanta a cabeça e presta atenção!
  São teus pais que te enviam mensagens de saudade”.
  Beijamos agora o teu rosto, acariciamos a tua face, te abraçamos apertado com o maior dos amores, como se estivéssemos ao teu lado.
  Deus te abençoe, minha mãe.


                           

 

                  Homenagem ao septuagésimo terceiro aniversário de Miracema



  Miracema
 
Terra de encantamento! Terra do meu coração.
  Eu te bendigo na luta memorável,
  De atos épicos e de muita ousada ação,
  Que te deu alento, coragem e civismo admirável.
  És bem o berço esplêndido de filhos destemidos,
  Que lutaram bravamente e sem desfalecimento,
  E se constituíram, para seus conterrâneos, heróis queridos,
  Exaltados sempre com aplausos e reconhecimento.
  Não és mais a águia cativa dos grilhões infamantes.
  No dia 3 de maio, alçaste o voo altaneiro nos céus do Brasil,
  Levando a todos os rincões da Pátria os brados triunfantes.
  Oh! Miracema, de entusiasmo e civismo contagiantes,
  Tua gente pacífica e batalhadora, na luta se tornou varonil,
  Deixando para a história os feitos e os exemplos edificantes.

                    

          

 E por Falar de Amor...

 
  O tema do desfile escolar foi maravilhoso e, pelas suas múltiplas definições, deu amplitude à criatividade e variações de escolha nas apresentações. É valioso e necessário que relembremos a força do amor, porque este sentimento corre o risco, infelizmente, de ir se extinguindo gota a gota até (Deus nos livre) desaparecer.
 
Já existe gradativamente a falta de amor à Pátria, a falta de amor próprio e algumas outras coisas desoladoras.
 
Na falta de amor à Pátria incluo o pouco entusiasmo, a falta de noção de civismo, ao desinteresse, por parte do aluno ao desfilar.
 
Por que já, desde criança, não sente ele vontade de se esmerar na cadência da bateria, na ordem e disciplina?
 
Amor próprio? Nem preciso explicar o que penso. É o maior desamor que existe e que está bastante evidente por este mundo afora (Deus o tenha bem longe de nós).
 
A Escola Nossa Senhora do Bom Conselho ainda brilha neste patamar muito apreciado do dito amor cívico. Ela me fez lembrar o Colégio Nossa Senhora das Graças nos velhos tempos. Este Colégio não é mais o que foi por força das circunstâncias e isto poderá ser bom devido à constatação de tempos mudados, da constante evolução social. Apesar de ele ter nascido do amor de um homem digno, generoso, sonhador, essa força foi impulsionada na contramão do descaso dos antigos políticos que não se interessavam pela melhora cultural do país. Pela oportunidade de crescimento não atingida pelos mais pobres através do saber. Só estudava mais um pouco ou ampliava os seus conhecimentos os que pudessem custeá-los.
 
Foi por amor à humanidade, por amor aos jovens menos favorecidos, que aquele nordestino “arretado” Dr. Felipe implorava, incentivava, batalhava na tentativa de passar adiante o seu ideal construtivo, contando, é claro, com o apoio político local, assim tornando real seu sonho que se estendia por várias regiões brasileiras, deixando a pipocar (CENEG) Campanha Nacional de Escolas Gratuitas, hoje CENEC em grande escala nacional.
 
Que lindo! Não acham?
 
Por ele eu tive imensa gratidão, este sentimento que muito se relaciona com o amor. Foi minha vez de crescer e, me posicionar num mundo mais colorido me incluindo numa sociedade na qual o segundo grau era importante símbolo cultural. Usávamos precário material escolar cujos livros eram repassados de uns aos outros alunos.
 
Ah! Como me lembro chegar à fila da entrada sempre cantarolando alguma canção da atualidade, vivendo alegrias e esperanças próprias da mocidade.
 
Os ensaios para o desfile escolar eram levados a sério, tal qual u’a matéria a mais no currículo. Desfilavam com entusiasmo, tanto na maneira de se apresentar, como para receber os aplausos espontâneos do povo. Todos valorizavam aqueles que, com o seu próprio esforço, mesmo trabalhando durante o dia, ainda se portavam como bons alunos, alcançando boas notas nos novos seguimentos de suas vidas profissionais.
 
Eu só sei que amei, que amei, que amei... aquele Colégio Cenecista hoje Colégio Nossa Senhora das Graças, pelas suas raízes fortes, poderosas, calientes, cujas raízes envolveram-me num clima mais saudável, mais humano.
 
Afirmo sempre: Tudo o que for criado com amor, jamais perece.
 
Esse amor, coisa abstrata, tornou-se concreto dentro de mim e assim permanecerá.
 
Quantas vezes lhe dirigi a palavra, Dr.Felipe, orientada e comandada pela Dona Oraide, grande mestra por mim admirada pela competência e desenvoltura na retórica.
 
Agora, mando-lhe um recado meu, aos céus, onde você brilhando na galáxia, se encontra visível a olhos desarmados:
 
Excelentíssimo Sr.Dr. Felipe Tiago Gomes.
 
Hoje, 1º de maio de 2009, dia de uma grande festa que ficará para a eternidade, eu, aos 72 anos, ainda ouvi falar o seu nome como grande idealizador e digníssimo fundador do Colégio Nossa Senhora das Graças.


Página 1Página 2Página 3Página 4Página 5Página 6Página 7Página 8Mural de RecadosExpedienteGaleria de Imagens