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Tema: Inspiração
Teço versos encantados, Bordo minha poesia. Fotografo meus recados: Não há fotos de alegria.
Tema: Lados
A vida tem muitos lados, Formando novos caminhos. Alguns cercados de flores, Outros repletos de espinhos.
Tema: Veneno
Vivo a angústia e condeno: Saudade sufoca a gente. Não é remédio, é veneno, Que nos mata de repente.
Tema: Cãozinho.
Tão lindinho, o cãozinho, Parece um algodão doce. Passa seu frio focinho, Como se um beijinho fosse. |
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Pintar é deixar fluir a imaginação, os sonhos, a poesia, a luz e as sombras. Foi o que vi e senti. No dia doze de março no Centro Cultural Melchíades Cardoso, o Dr. Raul Couto Leal – Raulzinho – passou para todos os presentes através de suas telas, misturando abstração com a realidade o que vai em sua alma de artista. Não foi surpresa pra muitos que ali viam a exposição, pois desde menino ele tem sua sensibilidade aflorada pelo desenho, música e piano. Quem tem seu interior tocado e abençoado por "essas artes faz despertar sonhos e anseios guardados", assim dizia KURT PAHLEN, doutor em música pela Universidade de Viena, autor do livro "História Universal da Música". Assim, Raul em sua simplicidade e conhecimento, realizou seu sonho de mostrar aos miracemenses sua arte marcada para sempre no âmbito cultural de nossa terra. Enquanto lá estava fiquei a observá-lo. Lembrei-me do jovem Pablo Rossi, catarinense, com apenas vinte anos de idade já se tornou um "virtuose" no piano, atualmente, residindo na Rússia para aprimoramento e considerado um novo prodígio. No jornal O Globo de julho de dois mil e nove perguntaram-lhe numa entrevista, por ocasião de um recital, como era ser considerado um gênio da música. Com simplicidade, respondeu: "Título não serve para nada, o importante é ter "conhecimento" do que faz". E por esse caminho da simplicidade segue Raul, o "gentleman", o doutor em Odontologia, o pianista (não deixe de tocar, seus conterrâneos o imploram). Caro amigo, sei que posso assim chamá-lo e espero vê-lo ainda por muitas vezes deixar no ar de nossa terra os acordes das mais belas valsas de Strauss, as sinfonias de Beethoven, as Rapsódias de Liszt, os noturnos e a Polonaise do grande, magnífico e romântico CHOPIN. Cumprimento o "cavalheiro" que com suas pinturas em telas mostrou até familiares retratados entre esfumados e tintas escorridas, como lágrimas de gratidão por estarem sendo lembrados por mãos privilegiadas. Parabéns Raul e obrigada, por estar deixando em outras plagas também a marca de um miracemense talentoso. Sábado, lendo o segundo caderno do O Globo, estampado numa tela pintada por Lacroix em 1838, lá estava o compositor polonês FREDÉRIC CHOPIN que este ano comemora o bicentenário de seu nascimento. Em uma entrevista do jornal com três grandes pianistas brasileiros, um deles, Cristina Ortiz dizia : "que o segredo de CHOPIN ao tocar era sua performance dentro da simplicidade e melancolia romântica, retratando dessa forma a saudade que sentia de sua terra, na Polônia, encantando a todos". Quando saiu de seu país, os amigos deram-lhe de presente um vaso de prata com um punhado de terra polonesa. Foi muito jovem para Paris, exilado viveu lá até morrer tuberculoso aos trinta e noves anos. Sobre seu tumulo espalharam a terra que sempre o acompanhara. Tiraram-lhe o coração e levaram-no de volta à Polônia. Somente pessoas que nasceram agraciadas pela música e a arte têm histórias como essas. Tudo isso me faz lembrar quando comecei o estudo de piano. A primeira professora foi a senhora D. Emérita Lovisi. Ela residia na Rua Direita no local onde hoje é o sobrado do Dr. José Barbi que ali morou com seus pais Dante e Clemilda (Miúda). Seu pai teve por muitos anos na parte de baixo uma alfaiataria. Era também um ponto de encontro de vários amigos que jogavam conversa fora após o almoço. Que saudade desse casal tão amigo! Na época, a casa de D. Emerita era rente a calçada, com assoalho feito de tábuas bem largas e na sala o piano que ficava de quina em um canto. Sua beleza me fascinava. Era de madeira escura, com um brilho de bem tratado parecendo um espelho. Sobre ele uma toalha de crochê e para completar sua beleza um jarro branco com flores de papel crepom e folhas de samambaias. Para proteger as teclas havia uma passarela de feltro verde com as iniciais de D. Emerita bordadas em branco. Ao seu lado direito uma mesa alta de tripé, também , com uma passadeira em crochê e ali eram colocadas as partituras. Na parede em cima dessa mesa um quadro grande do Sagrado Coração de Jesus. A porta de entrada possuía um orifício no qual saía um barbante que era amarrado ao trinco que quando puxado abria a mesma por fora. Durante as aulas de piano, a janela ficava entreaberta e, muitas vezes, era empurrada até o canto por crianças com a curiosidade de ver quem estava tocando e depois saiam correndo. A professora D. Emerita era uma mulher alta, sempre bem penteada, cabelos pintados de preto que faziam contraste muito grande com o tom de sua pele muito clara. Os lábios e as unhas compridas (os alunos tinham que ter as unhas muito curtas) sempre pintados de vermelho e nunca deixava cair a elegância, estava constantemente de sapatos de saltos altos. Não era modelo de mulher bonita, mas para uma criança de sete anos ela era encantadora, principalmente, quando solfejava e me parece até hoje ouvir sua voz. Naquela ocasião ela também era professora de Canto Orfeônico no Colégio Miracemense. Sempre fui fascinada pela música e estudar com Dona Emerita foi maravilhoso pois, todas as vezes que começava uma nova música ou escalas essas vinham sempre acompanhadas da história da vida do autor. Ficava como num transe, ou melhor, hipnotizada por ouvir sobre os compositores que com os sinais em forma de notas musicais juntas faziam lindas canções para principiantes, que nunca mais eu esqueceria. Como me sentia importante ao abrir o Método Infantil no piano. Ele tinha ilustrações e adaptações dos grandes compositores feitos por Francisco Russo. Do teclado saia o som de MUSETTE de Bach, A Vendedora de Flores, a Valsa do Gato de Botas e, muitas outras, que ao apresentá-las em audição faziam-me sentir uma verdadeira pianista. Como vai distante esse tempo!!! Um dia, após muitos anos, numa estante antiga da casa de meus pais, vi que tudo de piano ali guardado tinha virado pó, devorados pelos cupins e o tempo. Chorei muito quando encontrei destruídas as partituras das valsas de Strauss, da Serenata de Schubert, dos métodos de Carlos ZERNY, outras e outras, como também, o sonho da infância e da juventude tornar-se em poeira. Era como se todo aquele pó fosse soprado do alto da montanha da ilusão para se espalhar no vale do esquecimento. A vida sempre guarda surpresas. Bem mais tarde fui despertada para voltar a tocar um pouco de teclado e dar algumas pinceladas em telas, procurando assim afastar a saudade daquele tempo que vai longe. Uma doce, suave e eterna lembrança. - Agradeço a professora Nedimélia por me ceder o "Método Infantil", voltando assim a minha infância, eu há muito o procurava. Com isso ela me proporcionou uma das grandes recordações da minha vida ao estar com ele em minhas mãos. Muito obrigada! | |
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