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No NOROESTE DO ESTADO de Rio de Janeiro, incrustada entre pequenas serras, várzeas verdejantes e fazendo fronteira com Minas Gerais – Palma encontra-se uma linda Princesa denominada Miracema. Com seus setenta e dois anos, é uma bela jovem tranquila que ainda luta para manter sua vida sempre com a ajuda daqueles que a amam. Miracema é a terra de uma grande história, de grandes homens e mulheres irmanadas na batalha que deixou marca profunda e lições de esperança pela sua emancipação em 1936, quando nas ruas e sacadas dos antigos casarões em inflamados discursos, levavam o povo do pequeno distrito a idéia, o sonho de se tornar independente. As mulheres se igualavam aos homens no dom da ‘’palavra’’, tocando a alma de todos, mostrando como Miracema necessitava de sua liberdade para se tornar maior ao se separar de Santo Antonio de Pádua. Miracema, terra que nasceu quando um simples esteio de madeira de uma capela brotou, daí dando origem ao seu nome que significa: ‘’Pau que brota’’. Terra de poetas que cantam em versos o que sentem o que veem por todos os cantos da pequena cidade. Terra musical que leva para as ruas o clássico e o popular nas notas de grandes compositores, executadas por uma banda de música centenária: Sete de Setembro. Terra, onde a brisa sopra suave nas folhas das palmeiras, tranquilizando aqueles que descansam sob suas sombras. Terra de religiosidade, com a imponente Matriz que se destaca num elevado onde se pode visualizar as praças bucólicas que estão sempre recebendo as bênçãos do padroeiro Santo Antonio. Terra de cultura popular, mantendo a tradição das Folias de Reis, dos Bois Pintadinhos, Caxambu e do Mineiro Pau. Terra literária, com seus escritores, cronistas, jornalistas levando ao povo cultura e conhecimento. Terra que é banhada pelo ribeirão Santo Antonio que serpenteia pelo meio da cidade, saltitando às vezes entre as pedras formando pequenos encachoeirados. Esta é Miracema, um pedacinho de terra no Estado do Rio de Janeiro, ladeado por Flores e Paraíso, seus distritos, lembrando as asas da águia que se libertou permitindo a Princesinha abrir os braços que estão sempre acolhendo os que aqui chegam e mostrando em que seu reino há um povo que não se deixa derrotar, pois tem a esperança espelhada na luta de seus ancestrais.
JUNE DE SOUSA CARVALHO Presidente da Academia Miracemense de Letras 2003 a 2009 |
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