Pág.8-Nº115-Jun/09
                                                              JUNHO DE 2009
        
                                          
                        ANO VIII Nº-115 - MIRACEMA-RJ-                                                                                                              
  


 
 

 

 Tema: Cruz.

 Fiz uma cruz em sua testa,
 Partiu e não mais voltou.
 Eu choro no que me resta,
 Na saudade, a cruz ficou.

Tema: Fotos

 Saudades são meus mostruários,
 Tem tantas glórias guardadas.
 As fotos são relicários,
 Lembrando histórias passadas.

Tema: Gemido

 Guardo dentro do meu peito,
 Um coração tão sofrido.
 Parecido com meu jeito,
 Cada saudade um gemido.

Tema: Saudade

 Como é infinita a viagem,
 Pros confins da eternidade.
 Só consigo ver sua imagem,
 Decalcada na saudade.

  

   

 Entre uma programação e outra, a TV Globo fez chamadas quanto a preservação de Museus, Igrejas, monumentos, através da Fundação Roberto Marinho.
 Dezoito de maio foi comemorado o Dia Internacional dos Museus. Assisti pela Discovery às belíssimas imagens de renomados Museus de quase todo o mundo, e então, o baú da minha memória se abriu. Dele começaram sair recordações, que me fizeram viajar novamente, porém dessa vez em pensamentos, em lembranças.
 Convido você, para juntos voltarmos aos inesquecíveis lugares culturais.
 Deixei para trás em Amsterdã (Holanda) o museu Van Gogh, com toda sua história e as telas desse surpreendente pintor. Apreciei cada uma delas, principalmente as mais famosas: “Os Girassóis”, os “Comedores de Batata” e o “Quarto”. Esse último, há vários quadros em diferentes tonalidades, como diz sua biografia, pintava de acordo com seu estado de espírito.
 Na manhã seguinte, após termos visitado a terra onde o grande Van Gogh deixou suas marcas em pinceladas, partimos rumo a Berlim (Alemanha).
 O ônibus avançava célere pelas estradas “aveludadas” de asfalto em direção a grande capital alemã, essas ladeadas por densa floresta de tílias, pinus, álamos, por isso a Alemanha é chamada “o país mais verde da Europa”. No outono elas pintam de amarelo ouro a paisagem, no Leste Europeu é a estação que deve ser “fotografada” pelos olhos e guardada na alma. Nessa época, os dias são curtos e as noites chegam cedo. Às dezesseis horas já começa a escurecer e a temperatura cai, aumentando o frio com a ajuda de fortes ventos outonais, anunciando um rigoroso inverno.
 Passávamos por uma região altamente cultural como Dusseldorf, onde nasceram os grandes compositores Chumann e Mendhelson. Pernoitamos em Frankfurt terra do literato Goeth. No dia seguinte, fomos a Koblenz – cidade dos castelos, vinhedos, tudo isso visto num lindo passeio de barco pelo rio Reno.
 A Alemanha é um país de grandes músicos, literatos, indústrias e aristocráticas famílias. Chegamos a Leipzing, cidade de quinhentos mil habitantes com importantes obras: como a primeira ferrovia, entre ela e Dresden, a Biblioteca mais antiga da velha Europa, uma belíssima Ópera, onde a aristocracia alemã vai aplaudir “THANNHAUSER”, “AS WALQUIRIAS”, peças compostas por seu filho ilustre Richard Wagner, referenciando também Sebastian Bach que está sepultado sob o altar de famosa Igreja.
 Cada vez mais, aproximávamos de Berlim, a expectativa era enorme. As florestas de tílias misturadas ao colorido dourado das folhas de plátamos e álamos, pareciam pinceladas da artista natureza, ao longo das estradas. A sensação era imensa, custava-me crer que iria viver dias, onde Adolf Hitler fez ali o seu quartel querendo dominar o mundo.
 Fazia três graus de temperatura quando chegamos a Berlim. Mal nos acomodamos no Hotel, nosso guia já estava com a agenda organizada. Fomos em seguida para a Ilha dos Museus (ALTES MUSEUM), onde estão sediados cinco deles, Ilha essa, tombada no ano 2000 pela UNESCO como Patrimônio Cultural das Artes. O Museu PÉRGAMO é o destaque de todos eles, por isso foi o que visitamos. É o que tem as relíquias arqueológicas e clássicas mais antigas do mundo. A sua maior atração é sem dúvida, o Altar Pérgamo do período Helenista representando a batalha entre deuses e gigantes daquela época. Tudo muito bem detalhado pela nossa guia, morena bonita, brasileira de Brasília, residente há cinco anos em Berlim. Era fantástico ver obras do século II a.C. até atravessarmos “O Portão de ISHLAR” datado do tempo do Rei Nabucodonosor. Tudo extasiante, mas o que nos hipnotizou foi o busto de NEFERTITE, coleção egípcia, mulher considerada a mais bela da Antiguidade, viveu no século XIV a.C. Foi emocionante voltar aos bancos escolares e sentir novamente a história universal ao ver aquele rosto colorido, sensual na obra de 3.500 anos. Deixei-me fascinar diante dela.
 O vento lá fora era constante, mesmo com o sol a pino, o frio não deixava que desanimássemos para percorrer pontos marcantes de Berlim. A cidade é bem arborizada, principalmente por tílias, porém não pudemos aproveitar suas sombras, pois o vento espalhava suas folhas como uma chuva dourada e os galhos ficavam desnudos implorando ao céu um inverno mais ameno. Fomos completar o dia diante do maior símbolo de Berlim e de toda a Alemanha: “A PORTA DE BRANDENBURGO”, representando o poder, divisão, união, vitórias e derrotas de um povo. Essa PORTA possui doze colunas dóricas gregas, ostentando sobre ela a Deusa da Vitória guiando uma carruagem com Quadriga (quatro cavalos). Em frente à PORTA parei, e, centenas de pensamentos vieram povoar minha cabeça. Fiquei a imaginar quantas vezes Hitler com suas tropas desfilou por sob a Porta. Quantas máquinas bélicas passaram levando terror àquela gente e ao mundo. Quantos choravam ao atravessá-la. E... eu ali, sentindo a história voltar. Fui me aproximando e passei por baixo dele, não uma vez, mas, várias vezes e me emocionei ao senti-la tão perto. Brasileiro tem o defeito de colocar a mão em tudo que vê e eu naquele momento, não me omiti, passei as mãos nas trabalhadas paredes do magnífico monumento, curtindo aqueles instantes. Parecia ouvir os militares marchando, empunhando as bandeiras com Suástica, o mundo apavorado, Hitler em sua loucura de poder, e, eu em lágrimas, agradecendo a Deus por mais uma oportunidade na vida.
 Depois de vivenciar aquela obra majestosa, destinada a transmitir à posteridade a memória de uma grande história e de uma bela capital alemã, fiquei a imaginar, como já disse anteriormente em outras crônicas, “tudo passa”. Deus em sua sabedoria mostra sempre que a arrogância, o falso poder, a inveja, a humilhação, tem seu preço, por isso fez o mundo redondo para que tudo volte onde começou. E nessa reestruturação de uma Alemanha nova, pude apreciar Berlim que é uma das cidades mais modernas da Europa se renovando a cada dia, mantendo sua cultura nos grandes Museus com suas antiguidades históricas, até uma Igreja é conservada em ruínas pelos bombardeios da guerra, como Memorial de uma época tormentosa, mas que é História e não pode ser esquecida.
 Tudo isso me encantou. Obrigada a você que aceitou me acompanhar nessa viagem. Sei que uns irão ler esta crônica e sacudirão os ombros, como dizendo: não me interessa saber coisas de outros Países Outros desdenharão, fingindo não se importar. Porém, querendo ou não, irão sentir com o passar do tempo que a História é encantadora e não se pode negar que uma “viagem” por culturas diversas, ilumina a alma e nos faz mais sensíveis, por que: Um povo que não preserva seu Patrimônio, é um povo sem história.


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