Pág.2-Nº136-Mar/11
                                   

     
                                                                   
     

  

   A mulher é um ser que vence tudo com amor, por amor e pelo amor. Suas emoções são multiplicadas no seu dia a dia, e, como milagre, ela se transforma em namorada, noiva, esposa, mãe, filha, avó, bisavó, amiga e exímia profi ssional.
   Seu pensamento veste qualquer roupagem para que o seu coração possa transformar o seu olhar, suas falas e sua constante presença em fé.
    Mulher é luz porque ela se explode em luz para dar vida aos seus filhos. Em qualquer tempo, eles continuam crianças que dormem em seus carinhos, em seus afagos e nos múltiplos conselhos que lhes são oferecidos. Ela sempre os presenteia com asas com o formato de ensinamentos para que possam voar por caminhos seguros. Às vezes, as asas doadas se espatifam ao encontrarem as forças maléficas existentes no mundo e caem dentro dos precipícios sem volta. Mas, a mulher-mãe continua rezando, confiando, lutando até com o seu silêncio por um breve e feliz retorno de seus filhos aos caminhos de águas cristalinas.
   Mulher é sempre mulher santa! Ombros pequenos, mas que se transformam em força para aguentar todas as cruzes que vão surgindo em seu calvário. Ela continua seguindo, levando tudo o que a vida lhe reserva.
   Mulher é mulher! Mãos pequenas que se agigantam para cercar os vendavais que de repente, surgem e os transforma em brisas de amor.
   Mulher é sempre mulher! Filhos que vão e não voltam mais e ela continua afirmando: “Saudade é o amor que fica”, que devolve imagens, que se transforma em lágrimas ao sentir que não existe mais retorno. E ela reza: “Eia aqui a escrava do Senhor, faça –se em mim segundo a tua vontade, Senhor”!
    Oito de março, “Dia Internacional da Mulher”! Nossa rosa de hoje é para cada uma que segue o exemplo de Maria, Mãe de Deus, transformando o mundo em rosas de amor.

   

                                                                                        

 
 
    
                                           EDITORIAL
   Ricarda Maria

 

                                                                           RESPONDA             

      

   O que é sonhar? Cada um tem a sua resposta de acordo com as inúmeras experiências adquiridas sobre este assunto.
   De acordo com os meus sonhos eu afirmo que é um passeio relâmpago em lugares nunca idos. Nessa utopia, somos levados aos horizontes quase sempre  desconhecidos. É navegar nas nuvens e, de repente, descobrir que estamos com os pés no chão da nossa cama. É estar acordada e, num segundo, fechar os olhos para atingir o infi nito que existe dentro de nossa alma. Nesse estágio, nem respiramos direito para não atrapalhar o nosso momento. Abrimos os olhos e sentimosuma sensação de uma esperança renovada dentro de um instante novo, cuja imagem é muito preciosa para nós. Descobrimos que tudo é irreal e levamos o maior susto.
  
Que pena quando os nossos sonhos são interrompidos com o nosso acordar! Cerramos novamente os olhos na esperança de que eles poderão continuar. Sabemos que jamais voltarão, mesmo que durmamos noites e mais noites seguidas.
    É bom sonhar sonhos normes ou pequenos, fantasiosos, delirantes ou irreais. O que não pode acontecer nunca é que deixemos de sonhar, de voar, atravessar o oceano para sentir nas ondas da vida o que desejamos para a nossa felicidade. Às vezes, procuramos derrubar as montanhas das desilusões para transformá-las na realidade que almejamos. Se isso não acontece, é porque acordamos no momento exato em que deveria ocorrer a mudança de nossa atitude.
    Guerrear sempre, não desistir da luta, viver intensamente o que desejamos. Nunca desistir é confi ar na certeza de que temos pelo menos este direito: o de sonhar.

                                                                                                                                    Ricarda Maria

                   

               Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou
               após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou
               fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)

               

                                                            UM PERSONAGEM SINGULAR

                                                                             (Alaôr Siscinio)

                                                                                                                                                                                                                                           

    Terminei de ler “Estratégia de um Rábula” do Dr. Alaôr Siscinio (com circunflexo como foi registrado o nome).
    O seu filho, Alexandre Eduardo, meu colega de magistratura, sabedor da minha admiração pelo seu pai, presenteou-me com o livro publicado após sua morte. Sequer pôde revisá-lo.
   Ainda jovem, secundarista do Colégio Miracemense, assisti a um júri na cidade de Pádua, em que Alaôr, antes de formado, atuou na tribuna da defesa.Aquele mulato, jovem, de gravata borboleta despertou-me a curiosidade e, quando começou a falar, percebi que assistia a uma apresentação singular pela firmeza da argumentação e beleza  da oratória.
   Em uma das passagens do livro, Alaôr faz referência a esse julgamento. O Dr. JoséCampanário, advogado da causa, o havia contratado e foi quem me levou para assistir ao julgamento. Também, mais próximo me senti do autor, ao ler que ele havia sido aluno do Colégio Miracemense, ainda que por breve tempo.
   Muitos anos depois, promotor de justiça em Itaocara, avistava da janela do meu gabinete o quintal de uma casa, onde havia uma piscina e muitas árvores. A casa era do Alaôr. Em um dos casos contados, o autor revelou que pensava desenvolver sua advocacia em outras searas (como efetivamente o fez, com o mesmo entusiasmo e brilhantismo) e não mais pretendia fazer júri, quando foi consultado para atuar em um novo caso. Para não recusá-lo diretamente, cobrou de honorários o valor correspondente ao custo da piscina que iria construir no quintal da sua casa, mas o cliente aceitou pagar e, assim, tive ciência do valor daquela bela obra de ornamento e deleite.
    Em outra ocasião, vida janela do meu gabinete uma movimentação no quintal da casa do Alaôr. As bandeirinhas, barracas e coreto sugeriam uma festa junina, até porque estávamos no mês de junho. Saí do fórum e, ao passar em frente à casa, aproximeime para falar com o Alaôr, que não me conhecia pessoalmente. Apresentei-me e recebi formalmente o convite para a festa, quando se comemoraria o primeiro ano de nascimento do seu neto, creio, primeiro filho do meu colega Alexandre.
   Posteriormente tive diversos encontros com o Dr. Alaôr, quando ele já era professor titular da UFF e membro do IAB, consagrado advogado e poeta. A partir daquele júri em Pádua nasceu minha admiração pelo tribuno, advogado, professor, escritor e poeta ALAÔR SISCINIO, admiração que através dos anos foi crescendo. Hoje, sinto-me honrado e feliz por ter, ainda que de forma descontínua, desfrutado a amizade desse personagem singular do nosso Estado e do Brasil.
                        
                                                                                           José Geraldo Antonio


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