Pág.2-Nº116-Jul/09
                               

 

 A vida continua... Cada um carregando os acontecimentos do dia a dia. A Natureza numa forma alegre e dinâmica não esconde as carícias contidas dentro do que ela nos oferece. Uma verdadeira arte! Tem o poder de espalhar toda a riqueza, dinamizando sua obra predileta que é o amor. Consegue atravessar o pensamento de cada um que a admira e ganha o mundo, invadindo outras vidas. Muitos não a observam. São máquinas, robôs sem sentimentos.
 Olhando a natureza sentimos que ela possui recurso interior emanando sensibilidade e consegue expressar-se na simplicidade de uma flor ao se abrir, na beleza do nascer do Sol expandindo vida, na aventura fascinante e encantadora de viver namorando as estrelas, de admirar o luar que continua sendo o símbolo do romantismo.
 A natureza continua lutando pela sobrevivência, transformando-se em fortaleza diante do descaso, da falta de amor e do desrespeito do ser humano. Ela se eterniza como símbolo de prontidão, esperando sempre mudanças na maneira de agir, no trato e no carinho que o ser humano deveria devolvê-la, mas ele continua criando situações extremamente perigosas, devastadoras e de extermínio. A Natureza confirma a cada instante o seu compromisso com a criação de Deus, mas essa conservação, esse desejo de continuar inabalável, completa, não depende unicamente dela, também, do ser que quer ser diferente, mais inteligente, mais dotado do que os irracionais.
 Dentro desse contexto, o mundo ambiental que deveria ser conservado, é completamente mutilado pelas atitudes insensatas e impensadas do homem. Ele continua sendo eterno perdedor em todos os sentidos pelas consequências negativas e desastrosas que provoca com o seu egoísmo - o extermínio de toda a criação.
 É preciso, com urgência, repensar, tomar atitudes conscientes em favor da Mãe Natureza. Será que os seus destruidores já pararam para pensar? – O que será do mundo sem a presença da preciosa e insubstituível água, sem as plantas que tudo nos oferece, embeleza o nosso ambiente e o nosso olhar, sem os animais que abraçam a liberdade, sem o ar puro que é fonte de vida para todos?
 Lembremos: "A Natureza não chora, não xinga, não tem armas, não fala, mas se vinga em silêncio". A cada dia ela nos mostra a certeza dessa realidade.
 Colhi uma rosa no jardim da amizade ecológica e ela nos une ainda mais. Eu a apelidei de arco-íris, significando a aliança, a ponte entre Deus e o homem. Esse é o caminho que encontrei para doar a nossa rosa ao Fernando (Chumbinho) que aprendeu através de suas observações e do contato diário com a Natureza, a amá-la, defendê-la e ser fiel guardião do maior tesouro que possuímos. Com o seu olhar, impregnado de pureza, percorre todos os lugares e nas viagens percebe, vai captando, estudando, colhendo e saboreando as maravilhas que se encontram à sua volta e são descobertas por ele.
 Um exemplo a ser seguido.




                          

                        

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                               Editorial

                              Desafios

 Numa sucessão de acontecimentos, geralmente, surgem os desafios em nossas vidas. Às vezes, de forma desesperadora, sentimentos tristes nos empurram para a beira de um abismo ou formam uma ferida aberta, dolorida. Outras vezes, em plena efervescência, os desafios nos apresentam os itinerários que desejamos, possibilitando-nos enterrar as lembranças ingratas, oportunidades para que as novas renasçam com a certeza de que a vitória virá. Neste sentido, sentimos o caminho livre e a escuridão que residia dentro dos nossos momentos passa a ser iluminada por outros fatos que chegam trazendo surpresas organizadas e documentadas por Deus.
 
Assim, os desafios surgem na roda do tempo, oferecendo-nos sombras generosas, significativas, e nossa alma reage com o adeus dos ventos fortes, abrigando a brisa que começa a roçar com suavidade. Acolhemos o hoje que chega devolvendo-nos a vontade de apreciar o belo, de continuar a repetir as alegrias antes vividas, de não dar as costas para o verde. É a esperança que volta trazendo nas mãos o humor que estava perdido e agora vem chegando todo iluminado, brilhante.
 
Falar é fácil, escrever é fácil. Difícil é vencer os desafios impostos, sem volta, presentes em nosso agora, mesmo vivendo a certeza de que tudo o que nos acontece está sob o olhar misericordioso, profundo, consolador e amoroso de Deus.




     

Amor Desfeito

 Foi numa bela e inesquecível noite de verão, ao som dos acordes de românticas melodias, que aqueles jovens se conheceram e se apaixonaram num voluptuoso amor à primeira vista!
 
Ele a viu como uma rainha, talvez mesmo uma verdadeira Deusa do amor. Enquanto fitava seus lindos olhos verdes e acariciava seus perfumados cabelos loiros, sentia o frescor de sua face, nos furtivos momentos em que Ela correspondia aos seus desejos de "colar" seu rosto no dela.
 
Ela, menos entusiasmada, mas também com o coração acelerado, viu nele um príncipe encantado, por suas belas feições e lábios que inspiravam tentações, além de ser um galanteador romântico que provocava suspiros em outras jovens ali presentes.
 
E este romance que incendiou aqueles corações, parecia ser eterno para ele, enquanto para ela não passava de um lindo sonho de umas férias de verão... Por isso, com o passar do tempo ela não mais correspondia, com a mesma intensidade, aos apelos daquele que a amava loucamente e nem sequer respondia às insistentes correspondências e recados que lhe eram enviados. Isto o deixava morto de paixão, pois Ela era a sua primeira namorada e o seu grande e único amor.
 
Diante de tantos pedidos de um novo encontro, Ela aquiesceu e se encontraram naquele mesmo salão onde, tantas vezes, trocaram juras de amor, tendo, por coincidência ou não, naquele exato momento do encontro, a orquestra iniciado a execução da música preferida de ambos: o bolero. Ela sorriu e em silêncio, aceitou os seus braços, que tantas vezes a enlaçaram em rodopios de sol, lá, si, ré, dó, numa ilusão de uma reconciliação que não aconteceu.
 
Ele ainda fitava profundamente aqueles lindos olhos verdes, quando Ela desviou o olhar, desentrelaçou as suas mãos das dele, deu-lhe um último beijo na face e, virando-lhe as costas, partiu deixando um simples adeus e uma desesperada saudade naquele coração amargurado que batia acelerado, dentro do peito de um menestrel apaixonado.
 
Tentando disfarçar a sua dor e sem qualquer alternativa, Ele se foi com a esperança de que um dia Ela voltasse para reconstruírem aquele amor desfeito.
( KK Mello é Miracemense, Advogado e Atísta Plástico )


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