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É fácil escrever o que se pensa. É fácil escrever até sem pensar. Entretanto complica bastante chegando a ser difícil escrever com a responsabilidade de agradar a mais de um. Quando se escreve para si mesmo, o fator tempo desaparece, o fator relógio deixa de existir. É difícil escrever com o compromisso de hora certa, sabendo que o relógio não sabe esperar e que o tempo não para. No presente e honroso compromisso de ocupar este lugar de requinte, ocupar espaço em página do Liberdade de Expressão, as dificuldades começam aparecer até mesmo na escolha do título da coluna, mas, como as melhores saídas podem ser encontradas nos caminhos mais simples, a sugestão encontrada depois da devida busca e exame entre vários nomes, é BANCA DE RETALHOS. É possível que, na simplicidade de uma banca de retalhos se encontre o retalho, não para competir com os outro títulos das colunas do Liberdade de Expressão, mas para bem manter a qualidade da comunicação. Às vezes, está perto o que parece longe. Numa cidade, era costume agruparem-se as casas de comércio da mesma espécie na mesma rua, e assim foi feito com as sapatarias. Todas as sapatarias na mesma rua. Os nomes iriam influenciar na atração aos clientes. O Sapateiro primeiro a chegar, gravou na fachada de sua loja: Sapataria do Pedro, Melhor Sapataria do Mundo; o segundo a chegar escreveu com tintas bem vivas: Sapataria do Cabral, Melhor Sapataria Desta Cidade; o terceiro Sapateiro, Senhor de idade e de velha experiência, rebanhou a maior freguesia, pois, na fachada de sua casa comercial, escreveu: Sapataria do Valter - Melhor Sapataria Desta Rua. Estava muito bem perto o que parecia distante. Necessário e, por demais oportuno, se torna agradecer à Direção do Liberdade de Expressão a presente oportunidade de participar da sua seleta equipe de comunicadores, oportunidade que espero merecer ver atravessar tempos. Como reminiscência e justiça ao passado, a seguir o texto da letra da música inscrita no Festival da Canção de Miracema, ano 1970. Eu tinha no meu céu uma estrela - Que não se completava - Quis perdê-la - Fui desvendar o mundo das surpresas - e me banhei de pranto que tristeza! NO MUNDO, ESTA BANCA DE RETALHOS – O MAIS PURO E BELO É INCOMPLETO - O RISO E O PRANTO SE CONFUNDEM –NÃO HÁ NADA ERRADO NEM CORRETO - É só minha a triste - que eu contesto - quem divide por um- não deixa resto - Mas dividi comigo - Um sofrimento – e não fiquei com todo o meu tormento - O MUNDO É UMA BANCA DE RETALHOS -ATÉ A SAUDADE UMA FRAÇÃO -DA FELICIDADE QUE UM DIA - ANDAVA RONDANDO O CORAÇÃO.
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