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Tema: Chaga
Está em minh’alma esculpida, Toda a vida em uma chaga. Ela lembra a despedida, Soluço que não se acaba.
Tema: Vontade.
Quando choro, lembro logo: É a vontade do meu Deus. Nessa crença sempre afogo, Minha saudade num adeus.
Tema: Falta.
Sinto, sua imagem me abraça, Busco nela a minha paz. A cada dia que passa, Mais falta você me faz.
Tema: Voz.
Vamos salmodiar o amor? Mas, o amor é mesmo quem? É Deus que é sempre clamor, Na voz de quem voz não tem.
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Sempre observei que no mês de julho a lua clareia mais, a noite é mais escura, fazendo com que as estrelas brilhem intensivamente, bordando a imensidão do céu. O silêncio é maior, as ruas ainda bem cedo, ficam vazias dando a oportunidade de sentir saudade e aguçando a vontade de repente ouvir vozes acompanhadas de violão e banjo – UMA SERESTA. Já foi o tempo em que nas noites claras de luar, éramos despertados pelos seresteiros. Eles enchiam nossas ruas até alta madrugada, com músicas e vozes enaltecendo o amor, acordando muitas vezes paixões que já tinham sido esquecidas pelo passado, restando somente a saudade. O mundo é assim, muda todos os dias e nos obriga a acompanhá-lo, senão perdemos o "último" trem, ficando vazio o vagão da vida. Mas, o que são válidas dessas alterações modernas é que na maioria das vezes elas não conseguem afastar as lembranças quando são boas, permanecendo para sempre em nosso âmago. As recordações nos fazem viver horas, tempos, passagens inesquecíveis que tranquilizam a alma. Tenho certeza de que ainda grande parte das pessoas da nossa querida cidade se lembra bem do seu "Zé do Banjo" acompanhando Helio Sodré, aluno do internato do Colégio Miracemense e muitos outros, cantando eternas canções. Quando invocavam a lua: "Ó, lua branca de fulgores e de encanto" (Chiquinha Gonzaga), ela lá de cima dava cobertura a tão apaixonante momento que parecia fazer o tempo parar. As serestas eram realizadas também para homenagear e comemorar datas importantes, numa dessas é que um grupo de ex-alunos do Colégio Miracemense, uma noite foi cantar embaixo das janelas da casa dos professores Álvaro Lontra e D. Esmeralda, esses excelentes e inesquecíveis mestres, que completavam cinquenta anos de vida em comum, juntamente com sua família. Foi emocionante poder levar a música seresteira àquele casal, que foi tão marcante na vida de cada um de nós, que lhes prestavam à homenagem. Quando o carro chegou à ponte sobre o rio São Francisco, numa dessas viagens que fiz, pedi para descer e ali fiquei a observá-lo. Suas águas deslizavam rápidas, podia-se sentir a ansiedade delas em cortar as terras do nosso Brasil. Comecei a lembrar de uma sala de aula, carteiras, um tablado e sobre ele uma mesa e por trás dela, um homem de terno de linho bege, ultras vezes azulado, cabelos lisos, escuros, fazendo a chamada no diário. Ficávamos atentas para a "arguição" de geografia com o professor Álvaro Lontra. Nunca sabíamos o dia em que uma de nós seria sorteada, então, tínhamos que estar sempre em dia com a matéria. E, as águas do rio corriam depressa, o silêncio daquele lugar trouxe-me naquele instante todos os anos de convívio com o mestre e alto comecei a dissertar: o rio São Francisco nasce na Serra da Canastra em Minas Gerais, etc... Naquela época, fazia-se exame de admissão para entrar no primeiro ano ginasial (atual quinta série) e a professora responsável pelo curso preparatório para esse ingresso ao Colégio era D. Esmeralda Lemos Lontra. Foi essa mulher guerreira, de grande cultura na profissão e humilde nas orações a Deus, que encaminhou meu Lauro a adentrar no Educandário, assim como eu. Então, na seresta daquela noite, nos sentimos felizes em homenagear aquele sagrado casal, embora sem vozes especiais, cantamos e cantamos por amizade, estima e reconhecimento pelo o que eles representavam para nós. Nossos olhos marejavam encontrando-se com os deles que debruçados na janela, lembravam aqueles camafeus, onde são cravados fisionomias de pessoas imorredouras. Os anos passaram e as mudanças acontecendo, as serestas ficando para trás, mas, com certeza para os amigos, elas não tinham sido esquecidas. Uma noite, era dezembro de 1985, fomos acordados com a música Bodas de Prata, na voz belíssima (até hoje) de Joel da tia Ricarda, nossos grandes amigos, acompanhado por seu "Zé do Banjo" que fazia parte da equipe e toda a turma amiga. Para alegria e surpresa, lá estavam com uma linda cantoria a nos cumprimentar pelos 25 anos de vida a dois. A felicidade tomou conta de nossa família e o agradecimento a Deus por aquele presente que ficou eternizado. Naquela ocasião, fazíamos parte de um grupo de Igreja. Trabalhávamos no Curso de Noivos e nossas reuniões terminavam sempre com música. Eram relembrados sucessos para serestas que para muitos, ficaram como marcas de saudade de um tempo ido. Sempre há um dia, em que as lembranças voltam e os acontecimentos também. Em maio passado, num jantar oferecido por Amaro Cordeiro aos amigos (como faz todo ano), na residência de Chicralina Salim de Martino, deu-se início a uma seresta. Foi maravilhoso, alegre e cultural. Primeiro, pela gentileza e o cavalheirismo de Amaro, cujo amor a Miracema é imenso (foi mais do que merecido ele ter recebido à Comenda Dirceu Cardoso, nas festividades da cidade). Segundo, pela educação e requinte de Chicralina ao abrir as portas de sua casa para acolher os convidados e por fim, a voz, o violão e as composições de Fernando Nascimento. Parecíamos estar num sarau, com pessoas que valorizam a amizade, a música e a poesia. Numa conversa informal, relembramos as serestas em Miracema que marcaram época, sensibilizando a muitos apaixonados e o nome de Zé do Banjo (José Figueiredo) veio à baila por várias vezes. E, agora no mês de julho, veio-me à lembrança, essa pessoa simples que trouxe para tanta gente, sonhos amorosos nas noites enluaradas ao ouvi-lo tocar nas serestas, com o seu banjo. A gratidão é o reconhecimento que deve ser mantida como uma luz para iluminar a alma e fazer o bem para a consciência. Por isso, que remexendo em meus guardados, encontrei entre eles uns versos dedicados ao seu Zé do Banjo pelo seu aniversário dia 17 de julho, quando ele fazia parte do Curso de Noivos. Obrigada, seu Zé, pelo acompanhamento aos seresteiros que deixaram saudades ainda a muitos miracemenses.
Para um amigo (17/07/85)Um dia, Deus reuniu vários casais a doar, porém não se completavam, pois não sabiam cantar. E, por inspiração Divina surgiu alguém pra ajudar, era seu Zé do Banjo. com seu banjinho a tocar. E daí, que alegria todo o grupo se animou, o trabalho virou festa e tudo se completou. E assim, seu Zé e o banjo vieram alegrar e servir, ao próximo e a Deus e nos ajudar a sorrir. Aqui hoje estamos para um abraço lhe dar, que Deus o abençoe por sempre nos acompanhar. Que Deus o abençoe o Joel da tia Ricarda pelo seu aniversário dia 02/07.
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