Pág.2-Nº137-Abr/11
                                   

     
                                                                   
     

  

     Olho o verde contido nas Praças Dona Ermelinda e Ary Parreiras. Ele se apresenta
em vários tons, matizando o meu momento pleno de admiração. Essa cor é entornada em meu
olhar para tingir de esperança a cidade de Miracema.  Verde extraído das velhas palmeiras, dos
oitis, de centenas de outras espécies, que enfi leiradas, formam sombras onde estão escondidas
as minhas recordações.
       Lembro-me do meu  tempo de criança quando corria, dançava, cantava sem me
importar com quem estivesse olhando, criticando ou aplaudindo. Quanta ingenuidade, quanta
simplicidade contida nas brincadeiras que eram armadas sob as copas das árvores!  Recordo
a minha juventude que sem querer deixei para trás. Sentava nos bancos com as colegas do
Colégio Miracemense e cada uma exaltava o amor que começava germinar no coração que
festejava as nossas buscas. Era o milagre do momento. Os castelos se erguiam e dentro deles
os príncipes encantados, os livros que a gente lia, os nossos fracassos ou vitórias nas provas, as
canções que faziam parte das paradas musicais. Elas eram apresentadas pela Rádio Nacional,
e, entoadas ou desentoadas com alegria por todas.
       Fico reparando: as árvores são as mesmas. Elas continuam se posicionando como as
fi éis cercaduras, anjos verdes de nossas Praças. E o que de mim fi cou?   Sinto que os sonhos
que prendi  nas asas angelicais de meu tempo voaram. Mas a saudade continua abraçando a
minha velha carcaça trazendo de volta tantas lembranças edifi cadas nesse lugar encantado,
maravilhoso, ar puro, sem medo da constante poluição.
        Debruço o meu coração na estrada da minha vida e reencontro as minhas acácias, meus
jambeiros que permanecem pertinho dos meus sonhos e deixam a minha inspiração solta para
afi rmar sempre que minhas Praças são meus antigos e verdadeiros amores.
       Tudo mudou em minha vida. O tempo aventureiro passou. Não liga mais para mim.
Sou vencida pelos sofrimentos e pelas eternas saudades.
       Participo neste, meu tempo, de uma derradeira corrida. A minha vida vai terminando,
mas todo o meu amor continuará semeado no verde das nossas árvores.
       Peço licença às minhas Praças  para colher na roseira, perto do muro que divide os dois
espaços entre elas,  uma rosa vermelha para oferecer à nossa cidade no dia 3 de maio.
    Vocês duas, Patrimônios de Miracema, são os símbolos verdes, vivos, da liberdade
conquistada, em todo o tempo pelos miracemenses
                                         

 
 
    
                                           EDITORIAL
   Ricarda Maria

 

                                                                MIRACEMA             

      

    “Aquilo que o coração ama, fica eterno”. Miracema se eterniza a cada
momento não somente na vida de seus filhos, mas de todos aqueles adotados por
ela, os que aqui vivem que viveram ou residem fora de nosso Município. É uma
paixão exagerada por essa Terra que é doce, açucarada o suficiente para  fazer
qualquer pessoa feliz.
     Em qualquer espaço que estejamos, às  recordações chegam com uma
mensagem que se transforma num confortador sorriso para amenizar as nossas
saudades. Voltam às  imagens armazenadas em nossos pensamentos: cada Rua
com suas características, Praças exalando beleza, o Centro Histórico que guarda
o passado de nosso povo. Lembramos com um pouco de nostalgia das Lojas,
Armazéns, Farmácias, Bares, Quitandas que não mais existem, mas permanecem
vivos em nossa história. 
     Em Miracema, esquecemos as derrotas e o desânimo, encontramos em
qualquer parte as estradas que nos levam às maravilhas que o nosso Município
nos oferece.
     Continuar vivendo em Miracema é galgar o patamar das coisas simples,
mas recheadas de beleza e felicidade. Ela nos devolve a esperança que é sempre
renovada pela liberdade conquistada.  
     Nossa cidade, para nós, é uma insubstituível presença. Ela é como uma
contínua festa em  que todos participamos. Festa que é realizada pelos que de-
sejam transformar o dia a dia de seus moradores na data magna de nosso Muni-
cípio.
     É tempo de fazer uma sincera declaração de amor à nossa querida Terra:
“Amo-te não por quem tu és, mas por quem sou quando estou contigo, Mirace-
ma"! Parabéns!
                                                                                                                                    Ricarda Maria

                   

               Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou
               após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou
               fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)

               

                          MIRACEMA
 “ Não tem templos suntuosos,
  Nem palácios majestosos,
  Nem monumentos também;
  Não é cidade que ostenta,
  No braço que o outro sustenta,
  Essa grandeza que tenta
  Quem outra terra não tem...”
  (Barroso de Carvalho)
PERSONAGEM SINGULAR

                                                                            

                                                                                                                                                                                                                                           

    
     Miracema irá completar 76 anos de sua emancipação.
   Com o orgulho de ser filho dessa Terra e a felicidade de aqui ter vivido
minha  infância cercada do afeto e amor dos meus pais, escrevo essa crônica
com a emoção que sempre me toca quando envolve a sua história.
   Tive oportunidade em outras ocasiões comemorativas da data máxima
de Miracema, de exaltar os heróis da sua emancipação e assinalar fatos histó-
ricos da gloriosa campanha libertadora do povo miracemense, assim como de
lembrar outros ligados a minha existência. Dentre estes últimos, fi z referência
a uma publicação da formalização do ato ofi cial da criação do município, que
meus saudosos tios Antonio Miguel e Dulce me enviaram. Escrevi:
 “ Ao ler as notícias do coroamento de uma luta heróica de um povo forjado no
ideal de liberdade, senti toda a vibração daquele momento, como se presente
estivesse àquele ato cívico.
Felicidade maior foi  ler o nome de minha Tia Badia, mãe de minha querida
prima Nedi, na ata da emancipação de Miracema.
Sabia intuitivamente que naquelas pelejas de então o meu sangue também cor-
ria, assim como, ainda hoje, quando da volta dos ventos, correm as minhas
pernas de criança pelas ruas e praças de Miracema, enquanto os pés descalços
e o peito nu recebem a brisa que vence os morros. Nesse canto à  liberdade,
exaltava-se uma vida feliz e solidária.”
   Esse espírito libertário que todo miracemense traz consigo e a cada ano
é reverenciado ilumina o caminho desse povo que busca o lugar que a história
lhe reservou, construindo dia a dia o sonho dos que lutaram por sua indepen-
dência. 
                       
                                                                                           José Geraldo Antonio


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